Flávio Bolsonaro (PL) divulgou três versões de uma carta com teor golpista em menos de uma hora na quarta-feira (28). Nas duas primeiras, o senador se apresentou como o "verdadeiro presidente eleito do Brasil"; na terceira, publicada às 17h41, passou a se definir como "líder do Brasil".
A primeira versão foi divulgada por Paulo Figueiredo, aliado de Flávio que também está nos Estados Unidos. O texto usava um brasão antigo com a inscrição "Estados Unidos do Brazil", empregado de 1889 a 1968.
Treze minutos depois, uma segunda versão substituiu o símbolo pelo brasão da República Federativa do Brasil. Essa foi publicada por Flávio nas redes sociais e manteve a autoproclamação como presidente brasileiro. Às 18h05, as versões mais recentes ainda estavam disponíveis no perfil do senador no X, enquanto a primeira publicação havia sido apagada.
Na carta, Flávio afirmou ter vencido a eleição presidencial, embora tenha sido derrotado por cerca de 4,4 milhões de votos. Ele declarou que pretende comandar a oposição ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a partir dos Estados Unidos e anunciou uma estratégia de mobilização de apoiadores.
O senador agradeceu aos presidentes Donald Trump, dos Estados Unidos, e Javier Milei, da Argentina, pelo acolhimento após sua saída do Brasil. Também alegou, sem apresentar provas, que houve fraude eleitoral, questionou a extensão do horário de votação até as 19h e defendeu a cassação da chapa adversária.
Flávio está nos Estados Unidos desde a manhã de quinta-feira (29). Segundo o governo argentino, ele entrou no país às 22h50 de terça-feira (27), pela Ponte Internacional Tancredo Neves, usando o passaporte italiano. Depois, seguiu de jatinho para Guayaquil, no Equador, e embarcou para o aeroporto Opa-Locka, na região de Miami-Dade, onde chegou às 10h24.
Os passaportes de Flávio haviam sido cancelados por decisão de Alexandre de Moraes, a pedido da Polícia Federal, sob a alegação de risco de fuga durante investigações. Segundo o texto, o senador não entregou os documentos no prazo determinado.
Fonte: O Globo