A colisão entre dois trens de alta velocidade deixou ao menos 69 mortos e dezenas de feridos na quarta-feira, na província espanhola de Toledo. As equipes de emergência retomaram nesta quinta-feira as buscas por possíveis vítimas sob os vagões.
Segundo o governo regional de Castilla-La Mancha, 53 pessoas continuavam hospitalizadas e 56 haviam recebido alta. Bombeiros, profissionais de saúde, policiais e integrantes da Unidade Militar de Emergências participam da operação.
Durante a madrugada, os socorristas usaram drones térmicos. Com a luz do dia, cães farejadores e guindastes passaram a ser empregados nas buscas e na remoção dos vagões, parte dos quais descarrilou e caiu por um barranco.
O acidente ocorreu por volta das 8h54, na linha entre Madri e a Andaluzia, entre Los Yébenes e Urda. Um trem AVE da Renfe, que seguia para Sevilha com 397 pessoas, atingiu a traseira de uma composição da empresa Iryo, parada na via e ocupada por 147 passageiros.
De acordo com o ministro dos Transportes, Óscar Puente, uma falha no sistema automático de segurança LZB deixou cerca de 60 quilômetros da linha sem cobertura e provocou a parada de seis trens. A hipótese apresentada pelo governo é que o centro de controle de Atocha tenha autorizado a retomada da circulação em velocidade normal, embora o protocolo previsse limite de 40 km/h no modo manual.
Puente afirmou que o trem da Renfe atingiu a composição parada a cerca de 205 km/h e classificou como “inexplicável” a autorização para retomar a circulação sem a limitação prevista. A investigação deverá apurar como a falha técnica e as decisões operacionais contribuíram para a colisão.
A juíza responsável pelo caso proibiu a entrada de pessoas não autorizadas na área do acidente e a retirada de objetos do local. Segundo a Cadena SER, 52 corpos haviam sido encaminhados ao Instituto de Medicina Legal de Toledo, onde oito autópsias tinham sido realizadas até o início da manhã.
O primeiro-ministro Pedro Sánchez foi à região e prometeu investigar o acidente até o fim, além de responsabilizar eventuais negligências. A circulação ferroviária entre Madri e a Andaluzia permanece interrompida.
Fonte: O Globo