Carta publicada em 28 de outubro pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), após sua chegada aos Estados Unidos, reúne alegações sobre fraude eleitoral e perseguição política que, segundo a análise apresentada, entram em conflito com dados eleitorais, decisões judiciais e posicionamentos de aliados.
O documento teve versões diferentes em menos de uma hora. A primeira apresentava um brasão antigo com a inscrição "Estados Unidos do Brazil" e chamava Flávio de "verdadeiro presidente eleito do Brasil"; depois, o texto passou a dizer que ele falava "como o líder do Brasil".
Flávio afirma que houve fraude na eleição, mas o PL reconheceu o resultado proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral. Republicanos e União Brasil, que o apoiaram no segundo turno, também parabenizaram Luiz Inácio Lula da Silva e defenderam o respeito às urnas.
A análise também contesta a alegação de que seria matematicamente impossível Lula ampliar sua votação no segundo turno. Segundo os dados citados, 9,32 milhões de eleitores haviam votado em outros candidatos no primeiro turno, enquanto o total de votos válidos cresceu em cerca de 4 milhões.
O texto ainda afirma que a prorrogação da votação determinada pelo ministro Cristiano Zanin teve impacto limitado. Conforme levantamento do TSE citado na análise, 34 mil pessoas votaram após as 17h, e 29 mil desses votos foram registrados nos cinco primeiros minutos.
Entre outras inconsistências apontadas estão a afirmação de que Flávio não fugiu do país, apesar de agradecer a autoridades estrangeiras pela ajuda para sair do Brasil, e a crítica à composição do Supremo sem mencionar que ministros do TSE durante a eleição foram indicados por Jair Bolsonaro.
A carta também compara a situação brasileira à da Venezuela e pede que a comunidade internacional não normalize os acontecimentos. O texto lembra que sete missões internacionais acompanharam a eleição e que a Organização dos Estados Americanos destacou a organização e a capacidade técnica da Justiça Eleitoral em seu relatório preliminar.
Fonte: O Globo