O governo do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva busca fortalecer o cumprimento da meta de superávit primário do próximo ano sem provocar um desgaste político associado ao descumprimento de promessas de campanha.
A equipe do governo enfrenta pressão para conter movimentos do mercado que podem afetar a inflação e o crescimento, mas evita sinalizar um ajuste fiscal mais duro. A preocupação também considera a experiência do segundo governo de Dilma Rousseff, encerrado com o impeachment em 2016.
Notícias de bastidores sobre possíveis medidas de ajuste já provocaram acusações, nas redes sociais, de que Lula estaria descumprindo compromissos. O cenário se torna mais complexo com um Congresso de maioria direitista e o crescimento de bancadas contrárias ao PT e ao presidente.
Entre as medidas de maior dificuldade política está uma eventual moderação na política de valorização do salário mínimo, cuja manutenção foi uma promessa explícita de Lula. O texto avalia que um ritmo menor, ainda com aumento real, poderia reduzir a pressão sobre as contas previdenciárias, mas afirma que o ambiente atual não favorece essa iniciativa.
O ministro da articulação política, José Guimarães, disse que não há estudos sobre medidas de ajuste. A declaração foi interpretada como sinal de resistência, dentro do PT e de setores do governo, a um pacote fiscal que contrarie o tom adotado na campanha.
O cenário considerado mais provável combina ajuste gradual, flexibilidade orçamentária, racionalização de despesas sem cortes radicais e medidas para ampliar a receita. Parte da reação negativa dos mercados na segunda-feira é associada, no texto, à dificuldade política desse processo.
Fonte: O Globo