Analistas recomendam que investidores evitem decisões por impulso após a alta do dólar e as oscilações do mercado provocadas pelo resultado das eleições presidenciais. A orientação vale para quem tem ou pretende aplicar em ações e títulos de renda fixa.
Gustavo Spinola, estrategista da Sincra, aconselha a pessoa física a esperar a redução da turbulência. Segundo ele, vender por pânico pode transformar uma queda momentânea dos preços em prejuízo.
Já Nicolas Borsoi, estrategista macro da Tullett Prebon, afirma que a volatilidade pode abrir oportunidades para quem ainda não investe. Antes de aplicar, ele recomenda avaliar o prazo, a necessidade de resgate e a disposição para assumir riscos.
Para quem conclui que assumiu mais risco do que gostaria, Borsoi sugere considerar uma saída gradual, embora ressalve que a estratégia não garante um preço melhor. Ele também recomenda evitar o acompanhamento constante das cotações, para reduzir a influência da ansiedade nas decisões.
Spinola orienta cautela para quem pretende comprar ações após a queda, porque ainda não é possível saber se os papéis chegaram ao menor preço. Ele cita também o risco de novos resultados negativos durante a temporada de balanços.
Segundo o estrategista, gestores de ações voltaram a priorizar exportadoras, empresas de transmissão elétrica e saneamento e grandes bancos. A escolha, porém, deve considerar o perfil do investidor e sua capacidade de conviver com oscilações.
Os títulos do Tesouro Direto também podem oscilar antes do vencimento por causa da marcação a mercado. Quem vender nesse período recebe o preço vigente no momento, que pode representar perda; quem mantiver o papel até o vencimento recebe a remuneração contratada, conforme as regras do título, descontados impostos e eventuais taxas.
Borsoi vê oportunidades no Tesouro Direto por causa das taxas disponíveis, mas recomenda que iniciantes priorizem produtos de menor risco e mantenham uma reserva de emergência. Spinola cita o Tesouro IPCA+ como alternativa de proteção do poder de compra, desde que o investidor permaneça com o título até o vencimento para receber a remuneração contratada.
Fonte: O Globo