O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá decidir nas próximas semanas quem indicará para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal (STF) desde a aposentadoria de Luís Roberto Barroso, no fim do ano passado. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), articula o nome de Rodrigo Pacheco, ex-presidente do Senado e atual ministro do Tribunal de Contas da União (TCU).
A escolha será o primeiro teste da articulação entre o governo e o Centrão após o Senado rejeitar, em março, a indicação do ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias. O cenário também inclui o crescimento da bancada do PL, que terá mais de um terço das cadeiras do Senado a partir de fevereiro.
O ministro do STF Gilmar Mendes é um dos principais defensores da indicação de Pacheco e já fez manifestações públicas favoráveis ao nome. Ministros da Corte avaliam, em conversas reservadas, que a possibilidade ganhou força e poderia representar um aceno de Lula ao Senado.
Aliados de partidos de centro avaliam que a indicação ajudaria o governo a reconstruir pontes com o Congresso. Pacheco mantém interlocução com ministros do Supremo e com diferentes grupos políticos do Legislativo.
Lula ainda não informou a Alcolumbre quem pretende indicar. A articulação por Pacheco também tem o apoio de senadores governistas do MDB e do PSD, enquanto parlamentares do PT aguardam a orientação do presidente.
“Tudo zerado sobre esses temas. Em breve (terá alguma decisão sobre a vaga), mas o tempo é do presidente”, afirmou a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE).
Segundo aliados de partidos de centro, Lula dificilmente repetirá as escolhas de Flávio Dino e Cristiano Zanin, considerados próximos ao presidente, e deverá dar mais peso a aliados de fora do PT.
Esses aliados defendem que o governo aproveite o período anterior à ampliação da bancada do PL para tentar um acordo em torno de Pacheco. O nome é visto como capaz de reunir apoios de bancadas de esquerda, centro-direita e setores da direita.
O líder do PSB no Senado, Cid Gomes (CE), que foi colega de partido de Pacheco, avaliou que o ex-presidente do Senado tem preparo para o cargo. “Eu considero o Rodrigo um nome com todas as credenciais para o STF”, afirmou.
Integrantes do STF também avaliam que as chances de Pacheco aumentaram nos últimos dias. Se indicado e aprovado, ele se somaria à ala do tribunal favorável ao ministro Alexandre de Moraes, que enfrenta questionamentos internos relacionados ao caso Master, em movimento liderado pelo ministro André Mendonça.
A articulação, porém, enfrenta resistências. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e outros aliados criticam Moraes e se opõem a uma indicação que, na avaliação do bolsonarismo, fortaleceria o ministro, considerado adversário político por relatar casos envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados.
Alcolumbre também precisará buscar apoio do PL e de setores oposicionistas do União Brasil, do PP e do Republicanos. Uma das alternativas para conquistar esses grupos seria mostrar que a eventual ida de Pacheco ao STF abriria uma vaga no TCU.
A expectativa nos bastidores é que a escolha seja anunciada em breve, mas ainda não há definição sobre o indicado.
Fonte: O Globo