Benjamin Netanyahu e Gadi Eisenkot reivindicaram a vitória na eleição legislativa de Israel realizada na terça-feira, mas a apuração parcial ainda não apontava um vencedor capaz de formar maioria no Parlamento. Com 85% dos votos contabilizados, o bloco governista somava 53 cadeiras, enquanto a oposição e os partidos liderados por árabes reuniam 67 assentos.
São necessários 61 dos 120 assentos do Knesset para formar um governo. A apuração deve ser concluída nos próximos dias, possivelmente na sexta-feira, após a contagem de votos de militares e diplomatas depositados em seções especiais.
Os primeiros números indicavam que o Likud, partido de Netanyahu, continuaria como a maior legenda do Parlamento. A coalizão governista, que atualmente controla 68 cadeiras, deve perder espaço em relação ao resultado de 2022.
Netanyahu classificou os resultados preliminares como um prelúdio e afirmou que o Likud havia emergido como o maior partido do país. Ele também defendeu a formação de um novo governo de direita e voltou a mencionar a ameaça representada pelo Irã.
Eisenkot disse que a votação demonstrava o desejo de mudança da população, mas reconheceu que o resultado não afastaria imediatamente Netanyahu do poder. Segundo projeções citadas na matéria, seu bloco reunia 49 cadeiras.
Após a divulgação dos resultados oficiais e a distribuição das cadeiras, caberá ao presidente Isaac Herzog convidar o líder político que considerar mais capaz de formar uma coalizão majoritária. Herzog não é obrigado a dar a Netanyahu a primeira oportunidade, mesmo que o Likud seja a maior legenda.
Se nenhum bloco alcançar 61 parlamentares, Israel poderá enfrentar semanas de negociações e até uma nova eleição no início do próximo ano. Herzog afirmou que iniciará as consultas na semana seguinte e pediu aos partidos que mantenham a disposição para negociar.
As duas principais legendas árabes tinham projeção conjunta de 17 cadeiras. Líderes da oposição, como Yussef Jabareen, Ahmad Tibi e Yair Golan, defenderam uma aliança com os partidos árabes para tentar substituir Netanyahu.
Netanyahu rejeitou a possibilidade e classificou uma coalizão com partidos árabes como uma traição. Eisenkot deixou a porta aberta, mas estabeleceu condições, entre elas o reconhecimento de Israel como Estado judeu e do Hamas como grupo terrorista.
Entre as alternativas discutidas estão um governo de minoria, apoiado por parlamentares árabes em votações específicas, e uma coalizão de unidade nacional entre Netanyahu e Eisenkot. A eleição ocorre após três anos de guerra e em meio a divisões sobre a condução do conflito em Gaza, a violência de colonos na Cisjordânia e as relações com aliados de Israel.
Fonte: O Globo