O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ampliou mais sua votação no segundo turno das eleições de 2026 nas cidades brasileiras de maior renda média, embora Flávio Bolsonaro ainda tenha vencido nesse grupo. O levantamento cruzou os resultados por município com a renda média mensal das localidades.
A análise dividiu os 5.569 municípios do país em cinco faixas de renda. Nas cidades com renda média superior a R$ 2,5 mil, Lula aumentou sua votação em 24%, de 22,9 milhões de votos no primeiro turno para 28,5 milhões no segundo.
Nas demais faixas, as altas foram de 23%, 18%, 12% e 9%, seguindo a ordem decrescente de renda. Nos municípios mais pobres, Lula já tinha percentuais elevados no primeiro turno e alcançou 75,5% dos votos no segundo, contra 24,5% de Flávio Bolsonaro.
A única faixa em que Lula passou da derrota à vitória foi a intermediária, com renda média mensal estimada entre R$ 1.724 e R$ 2.153. Nesse grupo, o placar terminou em 52,9% para o presidente e 47,1% para o adversário.
Nova Lima, em Minas Gerais, foi a cidade de maior renda média do levantamento, com R$ 6,9 mil mensais, e registrou vitória de Lula no segundo turno. O presidente também venceu em Minas Gerais no resultado estadual.
Entre as capitais, o Rio de Janeiro teve a maior mudança em favor de Lula. Após perder por 137,8 mil votos no primeiro turno, ele venceu por 113,1 mil no segundo, na primeira vitória do partido na cidade desde 2014.
O cientista político Josué Medeiros, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), afirmou que a virada combinou rejeição a Flávio Bolsonaro e a apresentação de propostas para o futuro. Segundo ele, medidas como o fim da escala 6x1 e o Prospera MEI ajudaram Lula a recuperar a percepção de que poderia realizar novas ações.
Fonte: O Globo