A Polícia Federal cancelou os passaportes do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e prepara um ofício ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para informar o descumprimento da ordem de entrega dos documentos. A corporação afirmou não ter identificado registros formais de saída do parlamentar do Brasil.
A medida ocorre enquanto a PF apura uma possível viagem de Flávio aos Estados Unidos pela fronteira com a Argentina. O site argentino Infobae informou que o senador teria atravessado a fronteira e embarcado, na madrugada desta terça-feira, em um avião particular que partiria de Puerto Iguazú.
Em nota, a Direção Nacional de Imigração e a Casa Rosada disseram não ter registrado a entrada de Flávio na Argentina. As autoridades informaram que iniciaram a fiscalização da aeronave e da tripulação e afirmaram que não foi apresentado plano de voo que incluísse a família Bolsonaro.
O voo para Miami foi cancelado. Segundo informações divulgadas pela imprensa argentina, um passageiro não teria se apresentado, e a lista de passageiros não chegou a ser entregue ao serviço de imigração. As informações sobre a suposta viagem não foram confirmadas oficialmente.
Flávio havia sido intimado na segunda-feira a entregar os passaportes em 24 horas, prazo encerrado na manhã desta terça-feira. Na mesma decisão, Moraes proibiu o senador de deixar o país e de manter contato com o advogado Willer Tomaz, que, segundo a PF, está fora do Brasil desde agosto.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Flávio afirmou que foi intimado por agentes da PF enquanto se dirigia à casa de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, no Lago Sul, em Brasília. Ele disse que a decisão de Moraes levou em conta uma declaração do deputado cassado Eduardo Bolsonaro, que defendeu a saída do irmão do país em caso de derrota eleitoral.
Flávio é investigado em dois inquéritos no STF. Em um deles, é suspeito, ao lado de Willer Tomaz, de participação em um esquema de lavagem de dinheiro por meio de plataformas de apostas; o outro apura o financiamento do filme Dark Horse, sobre a trajetória de Jair Bolsonaro.
Fonte: O GLOBO