Documentos enviados pela Prefeitura de Salvador ao Supremo Tribunal Federal (STF) indicam que a gestão do prefeito Bruno Reis (União) autorizou a redução de viagens em algumas das principais linhas de ônibus da capital baiana no domingo do segundo turno das eleições de 2026.
O planejamento municipal previa intervalos maiores em linhas ligadas aos terminais da Lapa, de Mussurunga e de Pirajá. Os documentos foram apresentados em uma reclamação do PT, que acusou a prefeitura de prejudicar a locomoção de eleitores.
Na linha 1328, entre Pirajá e Mussurunga, a programação previa intervalos de 40 a 50 minutos, enquanto a previsão para dias úteis indicava períodos de 25 a 30 minutos. Na linha 1246, entre Pirajá e Patamares, o intervalo previsto era de 70 minutos, contra 22 minutos em dias úteis.
A linha 141, da Estação da Lapa ao Hospital Geral do Estado, tinha previsão de intervalos de 55 minutos no domingo, ante 22 minutos em dias úteis. Já a linha 1324, entre Pirajá e Sete de Abril, deveria operar com intervalos de 40 a 50 minutos, contra 26 minutos durante a semana.
A Secretaria Municipal de Mobilidade afirmou que cumpriu a resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que determina transporte gratuito e frequência compatível com a demanda. Segundo a pasta, a programação seguiu os mesmos parâmetros do primeiro turno, com 2,9 mil viagens, e foi divulgada em decreto e encaminhada previamente ao Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA).
O TRE-BA determinou durante o domingo a liberação integral da frota e autorizou a prisão do secretário municipal de Transportes, Pablo Souza, sob o argumento de que a retenção da frota poderia frustrar a participação eleitoral. Como o secretário estava na França, a medida não foi cumprida; o tribunal revogou a ordem na segunda-feira e orientou a continuidade das investigações.
A Polícia Federal deve abrir investigação após solicitação do TRE-BA. Em um relatório de fiscalização, um supervisor de garagem afirmou que a frota em circulação era inferior à dos dias úteis e que a concessionária seguia orientação da secretaria municipal.
A prefeitura também atribuiu atrasos registrados pela manhã à colocação de adesivos com o número 13 em ônibus por sindicalistas apoiadores do PT. O prefeito Bruno Reis disse que a circulação foi normalizada às 10h30 e afirmou que a frota reserva correspondia a pelo menos 10% do total.
Apesar dos relatos de dificuldades no transporte, a abstenção em Salvador caiu de 20,1% no primeiro turno para 15,7% no segundo. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu 73,3% dos votos na capital, contra 26,7% de Flávio Bolsonaro (PL).
Fonte: O Globo