O número de brasileiros classificados pelo Banco Central como "endividados de risco" aumentou 75% entre junho de 2021 e junho de 2026, segundo o Relatório de Estabilidade Financeira divulgado nesta terça-feira (27). Ao fim do primeiro semestre, eram 20,3 milhões de pessoas, equivalentes a 17% dos devedores do Sistema Financeiro Nacional.
Em junho de 2021, essa parcela correspondia a 9,7% dos devedores. No mesmo mês de 2025, era de 14,7%.
O Banco Central define o superendividamento como a situação em que as dificuldades para pagar dívidas comprometem de forma relevante e duradoura o padrão de vida de indivíduos e famílias.
O presidente do BC, Gabriel Galípolo, afirmou que a instituição deve anunciar novas medidas ainda neste ano para combater a oferta agressiva de crédito e reduzir a participação de modalidades mais onerosas, como cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal não consignado, nas dívidas das famílias.
Uma medida anunciada na última sexta-feira impede bancos e outras instituições financeiras de oferecer crédito a pessoas em situação de vulnerabilidade financeira ou com risco de endividamento excessivo sem autorização prévia, específica e inequívoca. Para esse público, as ofertas só poderão ter como objetivo melhorar as condições financeiras, por meio de renegociação, portabilidade ou migração para produtos mais vantajosos, sem liberação de novos recursos.
A norma não impede que o cliente pesquise e contrate produtos financeiros por iniciativa própria. As instituições também deverão oferecer a todos os clientes um mecanismo claro para bloquear propagandas e ofertas ativas. A regra entra em vigor em 31 de março de 2027.
Segundo Galípolo, as concessões de crédito estão concentradas em modalidades sem garantia, mesmo em um ambiente de desaceleração geral do crédito. Ele disse que o BC acompanha linhas que continuam crescendo apesar do aumento dos juros e afirmou que fatores comportamentais e a experiência do cliente também influenciam a deterioração financeira até a inadimplência.
O relatório mostra ainda que o comprometimento da renda com dívidas do cartão de crédito aumentou em todas as faixas de renda, inclusive entre pessoas que ganham mais de dez salários mínimos. Entre aqueles que recebem até dois salários mínimos, grupo de 61,2 milhões de pessoas, o comprometimento total da renda chegou a 42% e o relacionado ao cartão alcançou 15% em junho de 2026.
Na faixa de renda acima de dez salários mínimos, o comprometimento total ficou em 18,6%, enquanto o relacionado ao cartão foi de aproximadamente 4%.
Fonte: O Globo