Lula (PT) virou o resultado do primeiro turno e venceu Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição, realizado em 25 de outubro. A taxa de abstenção caiu para 19,2%, o menor índice em 20 anos, e a participação de eleitores idosos foi apontada como um dos fatores da disputa.
Ao todo, 30,5 milhões de brasileiros deixaram de votar no segundo turno, contra uma abstenção de 21% no primeiro turno, em 4 de outubro. O voto é facultativo para pessoas com mais de 70 anos.
Lucia Maria de Oliveira, de 77 anos, não votou no primeiro turno porque o elevador da escola onde vota, no campus da Faetec em Quintino, na Zona Norte do Rio, estava quebrado. Ela retornou no segundo turno após o equipamento ser reparado.
“Estava cansada, sem coragem. Mas depois da vitória do Flávio, fui votar no 2º turno para fazer a diferença”, contou Lucia. Segundo a Faetec, o reparo exigiu a substituição de uma peça, que precisou ser encomendada e não chegou antes da primeira votação.
Durante a campanha, Lula liderava as pesquisas entre os eleitores idosos. Em seu discurso de vitória, o presidente agradeceu a participação desse grupo, que representa mais de 10% do eleitorado, segundo o conteúdo original.
Para Renato Dorgan, CEO do Instituto Travessia Pesquisas, a queda da abstenção teve participação dos idosos. Ele afirmou que a postura de Flávio Bolsonaro em um debate e declarações atribuídas ao candidato teriam afastado parte desse eleitorado.
Em Engenheiro Paulo de Frontin, no interior do Rio, Maria França Cosme, de 93 anos, votou nos dois turnos usando uma camisa vermelha. Ela disse que decidiu participar porque esperava uma diferença pequena entre os candidatos e queria votar pensando na família.
Em Iguaba Grande, na Região dos Lagos, Zulmira Magalhães, de 88 anos, foi às urnas com um andador e votou nos dois turnos. Já em Irecê, no Centro-Norte da Bahia, o aposentado Roque Torres Amorim, de 101 anos, foi votar usando boné e broche do PT.
Fonte: O Globo