A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva no Brasil, em 2026, interrompeu uma sequência de sete vitórias consecutivas da direita e da extrema direita na América Latina nos últimos 18 meses. O resultado também aproximou Brasil e México como contrapesos regionais à influência do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, celebrou a vitória de Lula em uma coletiva no Palácio Nacional, nesta segunda-feira. Ela afirmou que o resultado representa “um sopro de esperança para a América Latina”.
O novo mandato de Lula ocorre em um cenário regional diferente do de 2023, quando governos progressistas também comandavam Colômbia, Argentina, Chile e Bolívia. Atualmente, o Brasil está cercado por governos de direita na Argentina, no Chile, no Peru e na Colômbia, segundo a análise apresentada na reportagem.
A relação entre Lula e Trump foi marcada por atritos, incluindo tarifas sobre produtos brasileiros e sanções contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. As medidas foram posteriormente revertidas, mas os Estados Unidos aplicaram novas tarifas ao Brasil durante a campanha eleitoral.
Especialistas ouvidos pela reportagem avaliam que Lula deve manter uma relação pragmática com Washington, enquanto busca investimentos e alívio tarifário para exportadores brasileiros. A política externa do país também poderá priorizar o Mercosul e a cooperação amazônica, diante do avanço de governos alinhados aos Estados Unidos na região.
Na América do Sul, a maior parte dos governos de direita reconheceu a vitória de Lula e mencionou temas de cooperação, como o combate ao crime organizado e o desmatamento na Amazônia. A Argentina, governada por Javier Milei, era o único país sul-americano que ainda não havia se manifestado até o fechamento da reportagem.
Fonte: O Globo