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terça-feira, 27 de outubro de 2026

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ELEIÇÕES

Lula avança em cidades com Bolsa Família e maior presença evangélica

Análise do O Globo aponta avanço de Lula em cidades com alta cobertura do Bolsa Família e maior presença de evangélicos.

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Uma análise publicada pelo jornal O Globo em 27 de outubro de 2026 indica que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ampliou sua votação entre o primeiro e o segundo turno em municípios com alta cobertura do Bolsa Família e maior presença de evangélicos.

Segundo o levantamento, Lula recebeu, em média, 52% dos votos nas cidades com alta cobertura do programa e maior proporção de evangélicos. Nos municípios com menor presença desse grupo religioso, o percentual foi de 67,4%, reduzindo a diferença entre os dois perfis para 15,4 pontos percentuais, ante 18,1 pontos quatro anos antes.

A análise dividiu os 5.570 municípios brasileiros em quatro grupos, conforme a proporção de moradores beneficiários do Bolsa Família em setembro de 2023. O grupo com alta cobertura reunia 1.393 cidades, onde, em média, 55% dos moradores eram beneficiários.

Nessas cidades, Lula passou de 70,91% dos votos no primeiro turno para 72,68% no segundo. Em relação a 2022, porém, houve queda: no segundo turno daquele ano, o petista havia alcançado 74,49% dos votos nesses municípios.

O avanço entre cidades com alta cobertura do programa e maior presença evangélica foi de 2,15 pontos percentuais entre os turnos e de 0,5 ponto em comparação com 2022. Nos municípios com alta cobertura e menor presença evangélica, o crescimento entre os turnos foi de 1,22 ponto, enquanto a votação caiu 2,3 pontos ante a eleição anterior.

O movimento foi identificado em municípios populosos da periferia do Rio de Janeiro, como Nova Iguaçu, Itaboraí e Japeri, além de Itaquaquecetuba, na Região Metropolitana de São Paulo. Em Nova Iguaçu, a margem de Lula melhorou 7,92 pontos percentuais em relação a 2022; em Itaboraí, a diferença entre PL e PT caiu 7,45 pontos, e em Japeri, 8,99 pontos.

O levantamento ressalva que os dados não permitem concluir que Lula tenha passado a receber mais votos de eleitores evangélicos individualmente, mas apontam crescimento em municípios com essa característica. Especialistas citados na análise afirmam que fatores religiosos, econômicos, familiares e educacionais podem influenciar simultaneamente a decisão do eleitor.

O cientista político Marco Antônio Carvalho Teixeira, da FGV EAESP, avaliou que a campanha associou a eleição ao risco de perda de um benefício considerado importante por milhões de pessoas. Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva, afirmou que o recebimento do programa pode dificultar a transformação de beneficiários evangélicos em eleitores antipetistas.

Fonte: O Globo

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