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quinta-feira, 29 de outubro de 2026

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Inadimplência das famílias atinge maior nível desde 2012, aponta BC

Créditos problemáticos chegaram a 9,2% da carteira de pessoas físicas em junho, segundo o Banco Central.

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Inadimplência das famílias atinge maior nível desde 2012, aponta BC

O Banco Central informou que os créditos problemáticos representavam 9,2% da carteira de pessoas físicas em junho de 2026, o maior nível desde 2012. O indicador reúne dívidas com atraso superior a 90 dias ou com indícios de que não serão pagas integralmente.

O índice chegou a 9,3% pouco antes, no pico da série, enquanto o menor nível foi registrado em 2021, quando ficou em 6,3%. A piora atingiu todas as modalidades de crédito no primeiro semestre.

Cartão de crédito, crédito rural, financiamento de veículos e consignado alcançaram os maiores patamares da série. As taxas encerraram junho em 12,7%, 10,3%, 8,5% e 5%, respectivamente.

O crédito pessoal não consignado registrou inadimplência de 14,9%, a maior entre as modalidades, mas ainda abaixo do pico de 16,5% observado em 2016.

Segundo o BC, a inadimplência foi o principal fator para a alta. Desde janeiro de 2025, a Resolução 4.966 do Conselho Monetário Nacional deixou aos bancos a decisão sobre quando classificar uma dívida como perdida, permitindo que operações em atraso permaneçam mais tempo nos balanços.

O BC estima que, sem essa mudança, a inadimplência do sistema financeiro seria 0,78 ponto percentual menor em junho, o equivalente a cerca de 45% da alta desde dezembro de 2024. O relatório afirma, porém, que o indicador também teria subido sob as regras anteriores.

O comprometimento da renda das famílias com o pagamento de dívidas atingiu o maior nível em 21 anos, apesar da queda do desemprego e da alta do salário médio. O impacto é maior entre tomadores de menor renda, sobretudo em linhas caras, como cartão de crédito e crédito pessoal sem garantia.

Em junho, 20,3 milhões de pessoas eram consideradas “endividadas de risco” pelo BC. O número equivale a 17% dos devedores do sistema financeiro e é 75% maior que o registrado em junho de 2021.

O relatório prevê que os ativos problemáticos continuem elevados na maioria das modalidades ao longo de 2026. Os bancos também sinalizam maior restrição ao crédito para as famílias no segundo semestre.

O BC estuda medidas macroprudenciais para as linhas de maior risco, como exigências mais duras para determinadas modalidades e acompanhamento mais próximo da capacidade de pagamento dos tomadores. O relatório não informa um calendário para as medidas e avalia que não há risco relevante para a estabilidade financeira, porque os bancos ampliaram provisões e mantêm capital e liquidez confortáveis.

Fonte: O Globo

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