O deputado estadual Ziza Carvalho (MDB) afirmou que o governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), teve participação fundamental na reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em entrevista publicada pelo GP1 nesta segunda-feira (26), o parlamentar também apontou a possibilidade de Fonteles integrar diretamente o próximo governo federal, mas reconheceu que a composição ministerial ainda depende de decisões do presidente e de sua equipe. (GP1)
Na avaliação de Ziza, o governador ajudou a reorganizar a candidatura depois de Lula terminar o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro (PL). O deputado afirmou que Fonteles “abriu os olhos da campanha” e criticou o comportamento inicial da estrutura petista, dizendo que “a campanha estava de salto alto”.
Ao tratar de uma possível participação do governador na administração federal, Ziza ponderou: “É uma decisão da cúpula do governo Lula”. O parlamentar não apresentou indicação para uma pasta específica nem anunciou convite formal. As declarações expressam sua avaliação sobre o futuro político de Fonteles.
A manifestação ocorre no dia seguinte à confirmação da vitória de Lula. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o presidente recebeu 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro somou 59.826.041 votos, ou 48,21%. O resultado assegurou ao petista seu quarto mandato presidencial.

A atuação de Fonteles na etapa decisiva foi registrada pela cobertura nacional durante a reorganização da campanha. Após o resultado desfavorável na primeira rodada, Lula redistribuiu responsabilidades entre aliados. Conforme a Folha de S.Paulo, o governador piauiense tornou-se um dos principais conselheiros do presidente na comunicação, enquanto Camilo Santana ampliou sua participação na articulação política e Rui Costa assumiu atribuições relacionadas à agenda.
Essa divisão de tarefas ajuda a contextualizar o reconhecimento feito por Ziza. Fonteles participou do núcleo que buscou ajustar a estratégia para o segundo turno, mas a vitória envolveu uma estrutura coletiva, com dirigentes partidários, equipes de comunicação, lideranças regionais e apoiadores. As informações disponíveis documentam sua participação, sem permitir medir isoladamente quantos votos decorreram de sua atuação.
O próprio governador havia delimitado suas funções em entrevista de 9 de outubro. Ao ser questionado sobre notícias de que comandaria a campanha, afirmou: “Eu vou ajudar a coordenação”. Explicou que a estrutura nacional já existia e havia sido ampliada para incorporar lideranças que, durante o primeiro turno, estavam concentradas nas disputas estaduais.
Fonteles chegou a essa fase com a própria reeleição resolvida. No Piauí, venceu no primeiro turno com 70,90% dos votos válidos, correspondentes a 1.436.697 votos. O desempenho superou os 57,17% registrados em 2022, quando conquistou seu primeiro mandato de governador. A vitória estadual abriu espaço em sua agenda política para uma participação mais frequente na disputa presidencial.
Na reta final, o governador também atuou publicamente na mobilização dos apoiadores. Em 22 de outubro, divulgou uma mensagem afirmando que levantamentos internos indicavam uma virada de Lula e defendeu a intensificação das ações nas ruas e nas redes sociais. Os percentuais e a metodologia desses levantamentos não foram apresentados, tratando-se de uma manifestação da campanha sobre seus instrumentos internos de acompanhamento.
No domingo da eleição, Fonteles acompanhou a apuração ao lado do presidente e de aliados. Depois da confirmação do resultado, publicou mensagens de comemoração e agradecimento aos piauienses. “Nós nunca deixamos de acreditar e hoje vencemos juntos”, escreveu, conforme registro da Agência Estado.

A hipótese de uma participação no ministério encontra também referências na cobertura sobre a futura equipe econômica. Antes da votação, a Folha de S.Paulo registrou especulações envolvendo Fonteles entre os nomes considerados por interlocutores para a administração federal. A reportagem, entretanto, ressaltou que Lula ainda não havia dedicado tempo à discussão de eventuais integrantes do novo governo. (www1.folha.uol.com.br)
Fonteles possui experiência na área fiscal: antes de assumir o Palácio de Karnak, comandou a Secretaria da Fazenda do Piauí e presidiu o Comitê Nacional dos Secretários de Fazenda. Essa trajetória compõe seu currículo administrativo, mas não confirma uma futura nomeação. (noticias.uol.com.br)
Com a eleição encerrada, a composição do governo será o próximo teste para as projeções feitas por aliados. Por enquanto, a declaração de Ziza acrescenta um reconhecimento político à atuação nacional do governador. Uma eventual mudança de função dependerá de anúncio oficial de Lula e de uma definição do próprio Fonteles sobre os rumos de seu segundo mandato no Piauí.