O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e a senadora eleita Michelle Bolsonaro (PL-DF) são apontados por presidentes de partidos e setores da oposição como os principais nomes da direita para a disputa presidencial de 2030, após a derrota de Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Segundo essa avaliação, Tarcísio e Michelle vêm consolidando liderança nacional desde a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por liderar uma trama golpista. Políticos que articulam uma alternativa de oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva consideram que os dois podem unir a direita, a centro-direita e diferentes grupos oposicionistas.
Lula foi reeleito no domingo com 51,78% dos votos, segundo a apuração de 99,97% das urnas, contra 48,22% de Flávio. Sem mandato a partir de agora, o senador é considerado enfraquecido por esses grupos e pode ter dificuldades para preservar os apoios reunidos durante a campanha.
Tarcísio terá mais quatro anos à frente do governo de São Paulo e mantém proximidade com presidentes de partidos como União Brasil, PP, PSD e Republicanos. Michelle, que nunca havia exercido cargo político, terá a liderança testada no Senado e poderá construir uma trajetória com maior protagonismo e menor dependência direta do bolsonarismo.
Apesar da derrota na eleição presidencial, o PL elegeu a maior bancada da Câmara, com 121 deputados federais, e ficou com a maioria do Senado, com 28 parlamentares, mais de um terço da Casa. Também é considerado um fator favorável à oposição o fato de Lula não poder concorrer novamente e ainda não ter um sucessor político definido.
Tarcísio e Michelle não acompanharam Flávio em um pronunciamento no qual o senador não reconheceu o resultado da eleição. No início da campanha, Michelle criticou o enteado e afirmou que ele não respeitava sua liderança política; depois, os dois se reconciliaram, mas ela não participou de eventos com o senador.
Tarcísio se envolveu mais na campanha de Flávio durante o segundo turno, após uma atuação considerada distante no primeiro turno por aliados do senador. Ainda assim, os dois nomes precisarão negociar com Jair Bolsonaro, que continua influente entre os eleitores da oposição.
Fonte: O Globo