O Smart Sampa, sistema de monitoramento da Prefeitura de São Paulo com 58 mil câmeras, teve 181 logins e senhas expostos na internet durante 11 meses, segundo reportagem publicada pelo UOL em 20 de outubro de 2026.
As credenciais permitiam acesso à plataforma da Sentinelx, empresa integrante do consórcio responsável pela operação do sistema. A ferramenta reúne imagens e recursos de inteligência artificial para identificar pessoas procuradas ou desaparecidas, analisar características físicas, gerenciar ocorrências e despachar viaturas.
De acordo com a Sentinelx, o sistema pode localizar pessoas mesmo quando seus rostos não estão cadastrados em listas de procurados e desaparecidos. Após a busca, a plataforma envia alertas a um operador, que avalia a necessidade de encaminhar uma viatura ao local indicado.
A Prefeitura de São Paulo afirmou que as informações foram divulgadas ilegalmente por um agente da Guarda Civil Metropolitana que tinha acesso ao sistema. O servidor foi afastado e é investigado pela Corregedoria da GCM.
O prefeito Ricardo Nunes (MDB) disse que o agente ingressou na corporação em 2023 e mantinha senhas armazenadas. Segundo Nunes, não houve registro de uso indevido do sistema e o monitoramento de segurança não identificou acessos irregulares.
A prefeitura informou que retirou do ar o repositório que permitia o acesso às imagens e reforçou os mecanismos de proteção, com senhas exclusivas e autenticação em dois fatores. A Sentinelx foi procurada, mas não respondeu até a publicação da reportagem.
Especialistas ouvidos pela reportagem avaliaram que a exposição pode ampliar riscos à privacidade das pessoas captadas pelas câmeras. Pablo Nunes, do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania, afirmou que o episódio pode abrir espaço para uso das informações na vigilância de pessoas.
Fernanda Rodrigues, diretora do Instituto de Referência em Internet e Sociedade, disse que o caso mostra que a ampliação do monitoramento por câmeras não garante mais segurança. O advogado Luiz Augusto D’Urso afirmou que o episódio pode configurar violação da Lei Geral de Proteção de Dados e que outros crimes ainda precisam ser investigados.
Fonte: g1