Uma decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que prorrogou por duas horas o horário de votação nas eleições de 2026 reacendeu a tensão com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nas horas finais do pleito.
A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) havia pedido ao TSE a extensão do horário antes das 14h, alegando restrições ao transporte de eleitores em diferentes partes do país. O ministro Nunes Marques só analisou o pedido às 16h06 e deu 30 minutos para manifestações da Procuradoria-Geral Eleitoral e do Tribunal Regional Federal da Bahia, que chegaram após o encerramento do horário regular. A campanha de Flávio Bolsonaro também solicitou a extensão, mas em cinco estados.
Sem uma decisão do TSE, a campanha de Lula acionou o STF. Zanin determinou a prorrogação até as 19h, mas o despacho foi divulgado às 17h03, depois do horário previsto para o fechamento das urnas, o que gerou dúvidas sobre sua aplicação.
Após conversas entre os ministros, ficou definido que a ordem valeria apenas para urnas ainda abertas. Zanin publicou um esclarecimento, enquanto Nunes Marques enviou orientação sobre o tema aos Tribunais Regionais Eleitorais.
Nunes Marques mencionou a decisão em pronunciamento e disse que não fazia uma crítica a Zanin, mas respondia a questionamentos sobre a demora para analisar o pedido. Segundo ele, todas as providências necessárias foram adotadas e não houve alteração provocada pela decisão judicial.
O episódio se soma a outros atritos entre o STF e o TSE ao longo do ano. Entre eles está o chamado caso Nossa Senhora, que envolveu publicações relacionadas à candidatura de Flávio Bolsonaro e decisões dos ministros André Mendonça, Flávio Dino e Luiz Fux.
Também foram citadas disputas sobre a eleição suplementar no Rio de Janeiro, eleições em Roraima e a candidatura do ex-procurador da República Deltan Dallagnol, cujo caso ainda será analisado pelo TSE.
Fonte: O Globo