A Character.AI informou em 12 de outubro de 2026 que pediu recuperação judicial nos Estados Unidos e aceitou uma proposta de US$ 20 milhões da Walt Disney para comprar parte de seus ativos, valor equivalente a cerca de R$ 99,7 milhões.
Fundada por ex-engenheiros do Google, a empresa oferece chatbots que simulam conversas humanas e permitem criar personagens virtuais para interações sobre temas como entretenimento, amizade e apoio emocional.
Segundo a Reuters, a operação inclui o licenciamento de parte da propriedade intelectual da Character.AI. A empresa pediu à Justiça a aprovação das regras do leilão, que estabelecem a Disney como primeira ofertante, permitindo que outros interessados apresentem propostas superiores.
A negociação pode ser concluída entre o fim de novembro e o início de dezembro de 2026. O presidente-executivo da Character.AI, Colin Adams, afirmou que o processo supervisionado pela Justiça é a melhor alternativa para maximizar o valor destinado às partes interessadas.
A Character Technologies, empresa sediada nos Estados Unidos que controla a plataforma, declarou à Justiça ter bens e dívidas estimados entre US$ 50 milhões e US$ 100 milhões. A companhia pretende manter o serviço em funcionamento durante o processo, mas informou que poderá desativá-lo caso não encontre um comprador disposto a continuar a operação.
A plataforma já foi questionada sobre os riscos de seus chatbots para crianças e adolescentes. Em 2024, a empresa anunciou novas medidas de segurança após ser acusada, em processos nos Estados Unidos, de contribuir para casos de suicídio e automutilação entre jovens.
Em janeiro de 2026, a Character.AI e o Google fizeram um acordo para encerrar uma ação movida pela mãe de um adolescente de 14 anos que morreu por suicídio após interagir com um chatbot da plataforma. Os termos não foram divulgados.
Em setembro de 2026, o Ministério da Justiça brasileiro recomendou que a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) avaliasse os riscos de plataformas que simulam relações de amizade e romance com usuários. A Character.AI estava entre os 13 serviços analisados.
Fonte: g1