A Braskem e seus credores estão mais perto de um acordo para reestruturar cerca de US$ 11 bilhões em dívidas, segundo pessoas familiarizadas com as negociações. Documentos divulgados no sábado (24) mostram que as propostas preveem uma oferta subsequente de ações, aporte de capital dos principais acionistas e terceiros e conversão de dívida em ações.
Os aportes iniciais e a conversão de dívida somariam cerca de US$ 4 bilhões na proposta dos credores e aproximadamente US$ 5 bilhões na proposta da Braskem. Uma das fontes afirmou que esse foi o ponto de maior aproximação entre as partes durante as negociações do processo de recuperação extrajudicial.
Ainda há diferenças relevantes entre as propostas, e as fontes disseram que o acordo não está garantido. As partes têm até 22 de novembro para concluir as negociações, embora a expectativa seja de que isso ocorra antes.
Pela proposta da Braskem, os credores converteriam US$ 2,8 bilhões em ações. Os principais acionistas e terceiros se comprometeriam a injetar US$ 1,2 bilhão em uma oferta subsequente de US$ 2,25 bilhões, prevista provavelmente para este ano.
Se determinadas métricas forem atingidas, os principais acionistas fariam um aporte adicional de até US$ 500 milhões. Os credores contribuiriam com até US$ 1,5 bilhão em junho de 2029, por meio de aporte de capital e conversão de dívida.
Os credores também concordam com a oferta subsequente de US$ 2,25 bilhões, mas propõem que US$ 1,85 bilhão seja garantido desde já pelos principais acionistas ou por terceiros. A proposta inclui ainda a conversão imediata de US$ 1,85 bilhão em dívida em ações e um compromisso adicional de US$ 450 milhões para junho de 2029, caso necessário.
Na proposta da companhia, a Petrobras e o IG4 Capital Group manteriam o controle e a gestão da Braskem. O IG4 não comentou, enquanto a Petrobras não respondeu de imediato aos pedidos de posicionamento. A Braskem confirmou que continua negociando com os credores, mas não fez outros comentários.
A Braskem protocolou um pedido de recuperação extrajudicial em agosto. Desde então, a empresa e detentores de títulos de dívida negociam um plano definitivo para evitar um pedido de recuperação judicial. Antes, os credores haviam pedido aos acionistas controladores um aporte de US$ 3 bilhões em capital novo, mas a solicitação foi rejeitada.
Fonte: O Globo