O segundo turno das eleições de 2026 registrou abstenção de 19,2%, a menor taxa em 20 anos, e soma de votos brancos e nulos de 3,2%, o menor patamar do século. Os dados foram apontados como fatores que contribuíram para a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Ao todo, 30,5 milhões de eleitores não foram às urnas no segundo turno, índice superior apenas ao de 2006, quando a abstenção foi de 18,9%. Brancos e nulos somaram 4,1 milhões de votos. No primeiro turno, 33,4 milhões de eleitores faltaram, o equivalente a 21% do eleitorado, e 5,9 milhões votaram em branco ou nulo.
Lula ampliou sua votação de 53.879.538 votos no primeiro turno para 64.170.618 no segundo, um aumento de mais de 10 milhões. Flávio Bolsonaro (PL) passou de 56.104.503 para 59.790.152 votos, crescimento de cerca de 3,6 milhões.
Segundo Marcia Dias, pesquisadora do tema e diretora da Escola de Ciência Política da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), a abstenção elevada costuma prejudicar partidos de esquerda. Ela afirmou que os estados com maior ausência no primeiro turno foram aqueles em que Lula perdeu e avaliou que a reversão desse quadro contribuiu para a vitória do petista.
A redução da abstenção fazia parte dos objetivos da campanha de Lula após o primeiro turno. A estratégia incluiu mobilização digital comandada pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) e manifestações de rua em capitais do país.
O Nordeste, única região em que Lula venceu, teve a menor abstenção do país, que caiu de 18,3% para 16,5% entre os dois turnos. No Ceará, o índice passou de 15,5% para 13,8%; na Bahia, de 19,9% para 16,7%; e em Pernambuco, de 18,1% para 15,1%.
Também houve queda no Sul, de 20,4% para 18,1%, e no Sudeste, de 22,7% para 20,2%. O Norte foi a única região com aumento da abstenção, de 19,4% para 21,2%, influenciado por Amapá, Roraima e Acre.
Em São Paulo, 7,69 milhões de eleitores não votaram no primeiro turno, o equivalente a 22,54% do eleitorado. No segundo turno, foram 6,7 milhões, ou 19,8%. Na capital paulista, a abstenção caiu de mais de 2,1 milhões para 1,8 milhão de eleitores, passando de 23,4% para 20,3%.
Fonte: O Globo