Os sócios do Vasco aprovaram, em Assembleia Geral Extraordinária realizada na sexta-feira (23), no Rio de Janeiro, a venda de 90% das ações da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) à Almirante Participações e Empreendimentos S.A., empresa controlada por Marcos Lamacchia. Foram 4.675 votos favoráveis, 437 contrários e 48 abstenções.
A votação ocorreu em duas etapas. A primeira aprovou a redução de 20% para 10% da participação mínima do clube associativo na SAF; a segunda autorizou a proposta apresentada pelo grupo de Lamacchia.
Com a decisão, o clube conclui os principais ritos internos para a transferência do controle do futebol. O Conselho Deliberativo já havia aprovado a mudança estatutária e a venda à Almirante em 6 de outubro.
A negociação ainda depende da análise de órgãos reguladores. A Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol avalia alterações societárias em SAFs e investiga um possível conflito de interesses relacionado à negociação, enquanto o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) abriu um procedimento sigiloso para apurar a operação.
Segundo o conteúdo divulgado, o Cade analisa uma possível mudança de controle sem avaliação prévia e indícios de eventual interferência do grupo de Lamacchia na SAF antes da autorização, em razão de empréstimos feitos ao clube. A Almirante é presidida por Mário Junqueira Franco Junior, sócio de Lamacchia.
Se os órgãos derem sinal verde, restarão procedimentos jurídicos e burocráticos ligados à arrematação e à transferência de ativos da antiga para a nova SAF. O presidente da Assembleia Geral, Alan Belaciano, afirmou que o clube está fornecendo as informações solicitadas pelos fiscalizadores.
A operação foi estruturada por meio da alienação judicial da chamada UPI Equity, mecanismo previsto no plano de recuperação judicial do Vasco. A Almirante venceu o processo competitivo em setembro, após apresentar uma proposta vinculante de aquisição.
O negócio envolve cerca de R$ 4 bilhões, considerando o valor da aquisição, os aportes previstos e outras obrigações assumidas pela compradora. A proposta prevê investimento mínimo de R$ 500 milhões no futebol em cinco anos, R$ 120 milhões para o centro de treinamento profissional e R$ 30 milhões para a infraestrutura das categorias de base.
A compradora também assumirá compromissos relacionados ao pagamento de dívidas e à manutenção do equilíbrio de caixa da nova SAF nos cinco primeiros anos. Entre as garantias estão uma fiança bancária ou seguro-garantia de R$ 324 milhões, a garantia pessoal de Marcos Lamacchia e uma conta-reserva para determinadas obrigações.
Fonte: O Globo