O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, convocou cubanos nesta sexta-feira (23) a fazer contato discreto com a CIA para promover mudanças em Cuba, em meio à pressão de Washington contra o governo da ilha.
“Àqueles que buscam promover uma mudança positiva em Cuba: este é o momento”, escreveu Rubio nas redes sociais. Ele citou a insatisfação com promessas não cumpridas, corrupção e privilégios e pediu colaboração discreta com a agência de inteligência americana.
O vice-chanceler cubano, Carlos Fernández de Cossío, ironizou a publicação e afirmou que os Estados Unidos passaram a fazer “recrutamentos públicos da CIA”. O chanceler Bruno Rodríguez rejeitou qualquer ameaça americana e disse que Cuba responderá a tentativas com fins hostis.
Após a declaração de Rubio, a CIA publicou um vídeo em espanhol com orientações para pessoas que tenham informações de interesse da agência. O material recomenda o uso de uma rede segura, como uma VPN, de navegador privado e de um endereço de e-mail sem dados pessoais associados.
Em um comício na Flórida, o presidente Donald Trump voltou a defender uma mudança de regime em Cuba. Segundo ele, navios militares americanos poderiam se aproximar da costa da ilha, enquanto Rubio negociaria um acordo.
A manifestação ocorreu enquanto Washington amplia a pressão econômica, política e jurídica sobre Havana. Nesta semana, o Ministério Público da Flórida apresentou acusações de assassinato contra o ex-presidente cubano Raúl Castro, relacionadas à derrubada de duas aeronaves em 1996; ele já havia sido acusado em nível federal em maio.
O governo cubano contesta as acusações. O presidente Miguel Díaz-Canel afirmou que a denúncia federal contra Raúl Castro não tem base legal e serviria para justificar uma agressão militar contra a ilha.
Desde janeiro, os Estados Unidos mantêm um bloqueio petroleiro contra Cuba, segundo a fonte, além de aplicar sanções a empresas estatais e dirigentes do setor.
Fonte: O Globo