A Organização Mundial da Saúde (OMS) iniciou nesta sexta-feira (23) o primeiro estudo clínico de uma vacina contra a cepa Bundibugyo do vírus Ebola na República Democrática do Congo. Os primeiros participantes foram imunizados com a vacina Ervebo em Bunia, capital da província de Ituri, apontada como epicentro do surto.
A Ervebo já foi aprovada contra a cepa Zaire, mais comum do Ebola. O estudo vai avaliar se o imunizante oferece proteção cruzada contra a cepa Bundibugyo, responsável pela epidemia atual.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou na rede social X que a pesquisa ajudará a determinar se vacinas desenvolvidas para o vírus Bundibugyo podem funcionar. O estudo clínico Tumaini também se prepara para a segunda de três fases de testes de segurança, eficácia e imunogenicidade.
A próxima etapa deverá incluir duas vacinas candidatas específicas contra a cepa Bundibugyo. Uma delas, a ChAdOx1, é desenvolvida pela Universidade de Oxford; a outra, do laboratório americano Moderna, utiliza tecnologia de RNA mensageiro. As duas recebem financiamento da Coalizão para Inovações em Preparação para Epidemias (CEPI).
Os testes devem envolver mulheres grávidas e crianças a partir de 12 anos, grupos geralmente excluídos de ensaios clínicos. Segundo o diretor de emergências da OMS, Chikwe Ihekweazu, os estudos devem produzir evidências sobre a capacidade das vacinas de proteger pessoas sob risco de infecção.
A República Democrática do Congo declarou em maio seu 17º surto de Ebola. De acordo com os dados citados no anúncio, a epidemia já provocou mais de 9.700 casos e mais de 4.600 mortes, levando a OMS a classificá-la como uma emergência de saúde pública de preocupação internacional.
Fonte: O Globo