Veículos internacionais repercutiram o debate entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), realizado na sexta-feira (23), pela TV Globo, a dois dias do segundo turno das eleições presidenciais. Publicações da Espanha, França, Argentina, Portugal, Itália e Alemanha destacaram a postura mais ofensiva de Lula, a tentativa de moderação de Flávio e os momentos de tensão do confronto.
O espanhol El País afirmou que Lula colocou Flávio na defensiva no último debate antes da votação. Segundo o jornal, o presidente começou de forma hesitante, mas assumiu o controle da discussão ao longo do encontro, que também teve ataques pessoais e acusações de corrupção.
O Le Monde classificou o debate como “crucial” em uma eleição marcada pelo empate nas pesquisas. O jornal descreveu Flávio como mais comedido e Lula como mais ofensivo, além de apontar que o senador conseguiu apresentar propostas econômicas, mas enfrentou dificuldades após fazer uma referência à perda de um dedo do presidente.
O argentino Clarín avaliou que o confronto foi mais organizado, mas não permitiu identificar um vencedor claro. A publicação destacou as discussões sobre custo de vida, inflação dos alimentos, salário mínimo e as diferenças entre as políticas econômicas de Lula e do presidente argentino Javier Milei.
O português Expresso concentrou sua análise nas mensagens finais dos candidatos. Lula associou sua candidatura à defesa da democracia, enquanto Flávio pediu que os eleitores rezassem um Pai-Nosso antes de decidir o voto.
A agência France-Presse (AFP) classificou o tom do debate como mais moderado que o do primeiro encontro, embora as provocações tenham permanecido. O italiano La Repubblica e a alemã Deutsche Welle também deram destaque à referência de Flávio aos “nove dedos” de Lula e à reação do presidente, que relacionou o episódio à sua trajetória como trabalhador.
As publicações também repercutiram o confronto sobre segurança pública, incluindo o questionamento de Lula a Flávio sobre a defesa de um policial acusado de matar uma menina de cinco anos em Niterói, em 2021. A DW reuniu ainda outros momentos do debate, como as acusações sobre o Banco Master, as apostas virtuais e as críticas ao custo de vida.
Fonte: O Globo