As forças de segurança francesas dispersaram com gás lacrimogêneo manifestações não autorizadas neste sábado (24), enquanto protestos de coletes amarelos, estudantes e sindicatos se espalharam pelo país.
O governo de Emmanuel Macron mobilizou 70 mil agentes, além de unidades de elite, soldados da operação Sentinelle, veículos blindados da Gendarmaria, helicópteros e drones. O ministro do Interior, Laurent Nuñez, afirmou que as autoridades seriam "intransigentes".
Em Lyon, a polícia usou gás lacrimogêneo contra um grupo de cerca de 150 pessoas que tentava bloquear o trânsito em uma área com aglomerações proibidas, segundo um jornalista da AFP.
As autoridades atribuem os distúrbios a pequenos grupos de extrema esquerda e a criminosos que teriam se aproveitado dos protestos para saquear lojas. Desde segunda-feira, bairros de grandes cidades têm adotado toques de recolher noturnos, e manifestações foram proibidas, com exceções para atos solicitados por organizações consideradas legítimas pelo governo.
Marchas contra o aumento do custo de vida e em apoio aos estudantes foram autorizadas em Paris, Marselha e Lyon. Na capital, a polícia alterou o trajeto previsto, enquanto veículos blindados protegiam o Palácio do Eliseu e a Assembleia Nacional.
Comerciantes cobriram vitrines com tábuas de madeira e alguns decidiram não abrir as portas. Segundo Alain Di Crescenzo, presidente das Câmaras de Comércio e Indústria da França, quase 3 mil lojas foram afetadas no sábado anterior.
Museus como o Louvre, o Orsay e o Picasso, além da Ópera de Paris, fecharam excepcionalmente. O movimento dos coletes amarelos prevê cerca de 500 manifestações e ações em diferentes pontos do país, incluindo rodovias, estações ferroviárias, portos, pontes e postos de combustível.
Também ocorreram protestos em Orléans contra o partido de extrema-direita Reunião Nacional, que realiza seu congresso neste fim de semana. Manifestações estavam previstas ainda na Albânia, na Itália e na Espanha.
Na sexta-feira, um homem de 39 anos foi detido após um ataque perto de Paris que deixou uma pessoa morta e cinco feridas. O presidente Emmanuel Macron classificou o episódio como um "atentado terrorista racista".
A agência Moody's manteve na sexta-feira a nota da dívida soberana da França. A instituição avaliou que o país poderá aprovar seu orçamento e reduzir as tensões sociais nos próximos meses.
Fonte: O Globo