As forças de segurança começaram a dispersar com gás lacrimogêneo, neste sábado (24), manifestações não autorizadas na França, onde protestos envolvendo coletes amarelos, estudantes e sindicatos se espalharam pelo país.
O governo mobilizou 70 mil agentes, unidades de elite, soldados da missão Sentinelle, veículos blindados da Gendarmaria, helicópteros e drones para conter novos distúrbios. "Seremos intransigentes", afirmou o ministro do Interior, Laurent Nuñez.
Em Lyon, a polícia usou gás lacrimogêneo para dispersar cerca de 150 pessoas que tentavam bloquear o tráfego em uma área com aglomerações proibidas, segundo a AFP.
As autoridades atribuem os confrontos da semana anterior a pequenos grupos de extrema-esquerda e a criminosos que teriam aproveitado os protestos para saquear lojas. Desde segunda-feira, bairros de grandes cidades adotaram toques de recolher noturnos, e manifestações foram proibidas, com exceções para atos solicitados por organizações consideradas legítimas.
Marchas contra o aumento do custo de vida e em apoio a estudantes foram autorizadas em Paris, Marselha e Lyon. Na capital, a polícia alterou o trajeto previsto, enquanto veículos blindados protegiam o Palácio do Eliseu e a Assembleia Nacional.
Comerciantes reforçaram a proteção das vitrines e alguns decidiram manter as lojas fechadas. Museus como Louvre, Orsay e Picasso, além da Ópera de Paris, também fecharam excepcionalmente.
O movimento dos coletes amarelos, que marcou o primeiro mandato de Emmanuel Macron em 2018 e 2019, anunciou cerca de 500 manifestações e ações em diferentes pontos do país. Na semana anterior, entre 550 mil e 800 mil pessoas participaram de protestos na França.
Manifestações também foram previstas na Albânia, na Itália e na Espanha. O comissário de Direitos Humanos do Conselho da Europa, Michael O'Flaherty, pediu que os países respeitem o direito de manifestação e priorizem a redução da tensão nas operações policiais.
Fonte: O Globo