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sexta-feira, 23 de outubro de 2026

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Jornal Diário do Povo

JUSTIÇA

Sindicato processa Amazon por salários abaixo do mínimo no Ceará

Sindicato processa Amazon para cobrar salário mínimo de cerca de 500 funcionários de atendimento no Ceará.

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O Sindicato dos Trabalhadores em Telemarketing do Estado do Ceará (Sintratel-CE) entrou com uma ação coletiva contra a Amazon para cobrar o pagamento do salário mínimo a cerca de 500 funcionários de atendimento ao cliente no estado. O processo tramita na Justiça do Trabalho e envolve trabalhadores contratados diretamente pela empresa, em regime de home office.

Segundo o sindicato, os funcionários exercem atividades próprias de operadores de telemarketing, como atendimento de reclamações, esclarecimento de dúvidas, rastreamento de encomendas e orientação sobre produtos e entregas. A entidade afirma que, por trabalharem 36 horas semanais, eles deveriam receber ao menos o salário mínimo nacional.

A Amazon vincula esses profissionais ao Sindicato dos Comerciários e calcula a remuneração com base no piso da categoria, proporcionalmente à jornada de 180 horas mensais. De acordo com o Sintratel, esse cálculo resulta em salários inferiores ao mínimo.

Contracheques obtidos pelo g1 mostram remuneração de R$ 1.298 em outubro de 2025 e março de 2026. O salário mínimo nacional informado na reportagem é de R$ 1.621.

A empresa afirma que seus funcionários de atendimento estão vinculados aos comerciários porque a atividade principal da Amazon é o comércio. Em nota, a companhia disse que aplica as mesmas regras a profissionais de atendimento em todo o Brasil, pratica jornada de 36 horas semanais e cumpre a legislação trabalhista.

O sindicato também pediu à Justiça uma decisão urgente para que a Amazon passe a pagar imediatamente o salário mínimo e quite as diferenças retroativas. A entidade quer ainda que a empresa negocie acordos coletivos com o Sintratel, e não com o sindicato dos comerciários.

Uma audiência entre as partes ocorreu na 18ª Vara do Trabalho de Fortaleza e terminou sem acordo. Além da ação coletiva, funcionários ajuizaram processos individuais pedindo rescisão indireta do contrato de trabalho; segundo a reportagem, em pelo menos dois casos a Justiça decidiu a favor dos trabalhadores.

Uma das funcionárias citadas na ação, Ana Ingrid dos Santos, relatou que foi contratada como assistente de atendimento ao cliente, com registro na Classificação Brasileira de Ocupações como operador de telemarketing receptivo. Ela também afirmou que teve problemas para receber auxílio-doença após o Instituto Nacional do Seguro Social não computar a contribuição feita sobre a remuneração abaixo do salário mínimo.

A Amazon declarou que não comentará detalhes do processo por se tratar de uma discussão judicial em andamento. Ainda não há prazo definido para o julgamento da ação coletiva.

Fonte: g1 Ceará

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