O Sindicato dos Trabalhadores em Telemarketing do Estado do Ceará (Sintratel-CE) entrou com uma ação coletiva na Justiça do Trabalho contra a Amazon, alegando que cerca de 500 funcionários de atendimento ao cliente recebem menos que o salário mínimo no estado. A empresa nega irregularidades e afirma que os trabalhadores são representados pelo Sindicato dos Comerciários.
Segundo o sindicato, os empregados atuam diretamente no atendimento telefônico e exercem funções de operadores de telemarketing, embora tenham sido contratados como assistentes de atendimento ao cliente e enquadrados na categoria dos comerciários. Os trabalhadores atuam em regime home office em diferentes cidades cearenses.
A disputa envolve a forma de cálculo da remuneração. A Amazon considera o piso dos comerciários e paga valor proporcional à jornada de 180 horas mensais, enquanto o Sintratel sustenta que os empregados devem ser enquadrados como operadores de telemarketing, categoria com jornada de até 36 horas semanais, e receber ao menos o salário mínimo.
Contracheques obtidos pelo g1 mostram remuneração de R$ 1.298 em outubro de 2025 e março de 2026. Na ocasião da reportagem, o salário mínimo nacional era de R$ 1.621.
O sindicato pediu à Justiça uma decisão urgente para obrigar a empresa a pagar imediatamente o salário mínimo e quitar as diferenças retroativas. Também solicitou que a Amazon passe a negociar acordos coletivos com o Sintratel, e não com o sindicato dos comerciários.
Uma audiência entre as partes ocorreu em 18 de outubro, na 18ª Vara do Trabalho de Fortaleza, mas terminou sem acordo. Ainda não há prazo definido para o julgamento da ação coletiva.
Além do processo coletivo, alguns trabalhadores ajuizaram ações individuais e pediram rescisão indireta dos contratos. De acordo com a reportagem, ao menos dois desses casos já tiveram decisões favoráveis aos empregados.
A Amazon declarou que os profissionais de atendimento são vinculados ao Sindicato dos Comerciários em razão da atividade-fim da empresa. A companhia afirmou ainda que aplica as mesmas regras em todo o país, mantém jornada de 36 horas semanais e atua em conformidade com a legislação trabalhista, mas não comentou detalhes por causa da discussão judicial.
Fonte: g1 Ceará