Ir para o conteúdo

sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Jornalismo local, independente e responsável

Jornal Diário do Povo

MUNDO

Programador cria plataforma para localizar desaparecidos após terremotos na Venezuela

Programador venezuelano cria plataforma para reunir informações sobre desaparecidos após terremotos de junho na Venezuela.

Compartilhe
WhatsApp

O programador venezuelano Jorge Bastidas criou uma plataforma para reunir informações sobre pessoas desaparecidas após os dois terremotos que atingiram a Venezuela em 24 de junho. Quase quatro meses depois dos tremores, o portal contabilizava 29.486 pessoas ainda não contatadas, após a eliminação de registros duplicados.

O número não é oficial. O governo venezuelano não divulgou uma lista nacional de desaparecidos nem criou um canal público para registrar os casos. Outra plataforma independente, a Venezuela Reporta, estimava 41.357 pessoas não contatadas com base em registros enviados por cidadãos.

Bastidas, de 32 anos, mora na Argentina e estava em Bogotá, na Colômbia, quando soube dos terremotos. Sem conseguir falar com familiares e amigos na Venezuela, ele desenvolveu o site Desaparecidos Terremoto Venezuela com auxílio de ferramentas de inteligência artificial e publicou a plataforma cerca de quatro horas e meia após os tremores.

O portal recebeu 82.610 registros ao longo de quase quatro meses. A ferramenta permite informar nome, fotografia, local e data do último contato, além dos dados da pessoa responsável pelo cadastro.

Nos primeiros dias, a página chegou a registrar cerca de 800 mil usuários. O sistema também sofreu ataques, incluindo uma alteração em 15 mil registros; Bastidas afirmou que a equipe conseguiu restaurar a maior parte dos dados por meio de backups, mas perdeu aproximadamente 1,2 mil registros.

Uma ferramenta de reconhecimento facial foi incorporada ao portal com apoio do laboratório de inovação LAB-CO. Segundo os responsáveis, o recurso foi adaptado de um modelo usado para auxiliar na identificação de pessoas falecidas por serviços forenses no México e na Guatemala.

Voluntários também transcreveram e cruzaram listas manuscritas obtidas em hospitais de Caracas e La Guaira. De acordo com Daneli Hernández, colaboradora do projeto, foram reunidos mais de 3 mil registros provenientes de quase todas as unidades hospitalares dessas regiões.

Em 4 de agosto, o governador de La Guaira, José Alejandro Terán, informou que havia 1.579 desaparecidos no estado. Antes disso, em 11 de julho, o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, havia dito que as autoridades não deveriam se basear em especulações, mas na realidade.

Bastidas afirmou que pretende criar uma central de atendimento para verificar os números registrados na plataforma. Como as atualizações dependem de uma equipe reduzida de voluntários, alguns casos de pessoas já localizadas ainda permanecem identificados como pendentes.

Fonte: G1

Leia também