A Prefeitura de São Paulo aplicou R$ 2,4 milhões em multas ao Consórcio Smart City SP, responsável pelo programa Smart Sampa, por falhas na operação das câmeras de monitoramento entre julho de 2025 e agosto de 2026.
Levantamento do g1 identificou 13 processos administrativos relacionados a equipamentos fora do ar, atrasos na instalação de postes de vigilância e pendências na entrega de ferramentas previstas no contrato. As penalidades variam de R$ 14,5 mil a R$ 500,7 mil e foram mantidas pela administração municipal após a análise das defesas apresentadas pelo consórcio.
A maior multa foi aplicada por falhas registradas em agosto de 2025. Naquele mês, as câmeras acumularam 221,4 milhões de minutos de indisponibilidade, o equivalente a 25,6% do tempo de funcionamento previsto para os 20 mil equipamentos do contrato.
O contrato, assinado em agosto de 2023, exige disponibilidade das imagens durante pelo menos 99% do tempo. O serviço custa cerca de R$ 10 milhões por mês; com câmeras particulares integradas, a rede do Smart Sampa reúne aproximadamente 58 mil equipamentos.
O Consórcio Smart City SP atribuiu as interrupções a furtos, vandalismo, falhas no fornecimento de energia e problemas de conexão à internet. A empresa informou ter registrado 3.131 ocorrências de furto e vandalismo entre janeiro de 2024 e novembro de 2025 e afirmou que instalou 1.907 câmeras para recompor pontos afetados.
Em março de 2026, o consórcio pediu a revisão das condições financeiras do contrato e a suspensão das multas até a conclusão da análise. A empresa argumentou que os custos provocados por furtos e atos de vandalismo ultrapassaram os riscos previstos na licitação.
A Secretaria Municipal de Segurança Urbana rejeitou os argumentos. Segundo parecer técnico da pasta, o contrato atribui ao consórcio a responsabilidade pela manutenção e reposição das câmeras, inclusive em casos de furto, vandalismo, falhas de energia e problemas de internet.
O programa também passou a ser investigado após dados sigilosos ficarem disponíveis na internet por cerca de 11 meses, segundo reportagem do UOL. A Prefeitura confirmou a exposição e afirmou que um guarda civil metropolitano teria divulgado ilegalmente as informações; ele foi afastado e é alvo de investigação da Corregedoria, enquanto a Polícia Civil instaurou inquérito.
A administração municipal declarou que aplica as penalidades contratuais quando as falhas são comprovadas e informou que reforçou a segurança da plataforma com senhas exclusivas e autenticação em duas etapas. A Prefeitura também afirma que o Smart Sampa contribuiu para a captura de 3.631 foragidos, quase 7 mil prisões em flagrante e a localização de 286 pessoas desaparecidas.
Fonte: g1