Moradores do condado de Loudoun, na Virgínia, nos Estados Unidos, relatam ruído constante, fumaça e cheiro de diesel provocados por um complexo de data centers instalado próximo a áreas residenciais. Os impactos foram mostrados em reportagem exibida pelo Fantástico.
Loudoun concentra mais de 200 data centers e, segundo a reportagem, há 16 anos novos centros de processamento são construídos continuamente na região. A expansão foi acelerada pela demanda por infraestrutura para serviços digitais e ferramentas de inteligência artificial.
O complexo visitado pelo programa gera parte da própria energia com oito turbinas movidas a gás natural e mantém dezenas de geradores a diesel para situações de emergência. Moradores afirmam que o zumbido se tornou permanente e que já observaram fumaça escura quando os equipamentos entram em funcionamento.
Uma das residentes disse ter deixado a casa e ido para a residência da filha depois que geradores de emergência funcionaram por 24 horas. Outros moradores relataram sentir gosto de diesel no ar e demonstraram preocupação com possíveis efeitos da poluição sobre a saúde.
Um estudo citado pelo Fantástico, elaborado por um pesquisador de Harvard, estima que a poluição emitida por um dos data centers da região pode gerar custos de até US$ 99 milhões por ano relacionados a internações e mortes prematuras. O valor é uma estimativa do estudo e não representa uma condenação ou cobrança oficial contra a empresa.
A expansão também aumentou a pressão sobre o sistema elétrico da Virgínia. Organizações ambientais locais afirmam que os novos empreendimentos exigirão investimentos em transmissão e a instalação de linhas de alta tensão, incluindo uma torre de 56 metros que, segundo uma moradora envolvida em uma disputa judicial, poderá ficar a menos de 15 metros de sua casa.
O debate chegou ao Brasil após a aprovação do programa Redata, que oferece incentivos fiscais para atrair investimentos em data centers. De acordo com a reportagem, a legislação prevê o uso de energia renovável ou de baixa emissão e medidas para reduzir o consumo de água, mas temas como distância de residências, controle de ruído e emissões atmosféricas ainda dependem de regulamentação.
Fonte: g1