Estudo do NetLab, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e do International Panel on the Information Environment (IPIE) aponta indícios de que a Meta cobrou mais caro de Lula (PT) do que de Flávio Bolsonaro (PL) por anúncios políticos no primeiro turno das eleições de 2026.
A pesquisa analisou 7.677 anúncios veiculados entre 16 de agosto e 4 de outubro de 2026. Os dados foram extraídos da API da Biblioteca de Anúncios da Meta e estão associados a 19 páginas de anunciantes de 11 candidaturas à Presidência.
Em três dos quatro modelos estatísticos aplicados, Lula pagou entre 33% e 43% mais do que Flávio Bolsonaro por mil pessoas alcançadas. O modelo que não apontou diferença estatisticamente significativa ainda indicou custo 10% maior para a campanha petista.
Na comparação com outras candidaturas, o estudo aponta que Lula pagou até 256% mais do que Augusto Cury (Avante), 119% mais do que Ronaldo Caiado (PSD) e 50% mais do que Renan Santos (Missão), dependendo do modelo utilizado.
Os pesquisadores classificam os resultados como inconclusivos porque a Meta não fornece dados brutos suficientes para determinar se a diferença veio da plataforma ou das estratégias das campanhas. Segundo o estudo, 52% dos anúncios analisados estavam na faixa de investimento entre R$ 0 e R$ 99, sem indicação do valor exato.
A pesquisa também afirma que a Meta não cumpre integralmente as exigências de transparência previstas no artigo 27-A da Resolução 23.610/2019 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Entre os dados apontados como ausentes estão informações detalhadas sobre segmentação por interesses, comportamentos e públicos personalizados.
Em nota, a Meta contestou as conclusões e afirmou que não define preços com base no anunciante ou nas opiniões expressas. A empresa disse que os anúncios disputam espaços em leilões e que comparações entre campanhas com estratégias diferentes, feitas a partir de faixas de investimento, podem levar a conclusões equivocadas.
O estudo foi submetido a dupla revisão independente, com dois especialistas externos. De acordo com Maire Santini, fundadora e diretora do NetLab, a pesquisa aponta apenas indícios de tratamento desigual, sem confirmar que houve diferença na cobrança.
Fonte: O Globo