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sexta-feira, 23 de outubro de 2026

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ELEIÇÕES

Estrategistas estrangeiros analisam eleição brasileira de 2026

Seis estrategistas internacionais analisam a eleição brasileira de 2026 e fenômenos como a onda antissistema e o impacto das redes sociais.

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Seis estrategistas internacionais que participaram de campanhas de destaque analisaram, em uma série do GLOBO publicada em 2026, a eleição brasileira e fenômenos políticos observados em diferentes países.

As entrevistas abordaram a dificuldade de presidentes em exercício conquistarem a reeleição, o descompasso entre indicadores econômicos e a percepção da população, o impacto das redes sociais e o avanço de uma direita mais radicalizada.

Entre os entrevistados está o americano Karl Rove, que ficou conhecido por sua atuação nas vitórias presidenciais de George W. Bush. Segundo Rove, um presidente como Luiz Inácio Lula da Silva precisa demonstrar empatia e realismo ao falar sobre a economia, em vez de insistir em resultados que os eleitores não percebem no cotidiano. Ele também criticou a política externa do governo de Donald Trump e suas tentativas de interferir em eleições de outros países, como a brasileira.

O espanhol Antoni Gutiérrez-Rubí, que trabalhou nas campanhas de Gustavo Petro, na Colômbia, e Claudia Sheinbaum, no México, afirmou que as sociedades estão mais ansiosas, exigentes e imediatistas. Para ele, a demora na entrega de resultados aumenta a frustração e prejudica os governos.

A argentina Ana Iparraguirre avaliou que a integração da direita na América Latina envolve riscos. De acordo com ela, problemas em um país podem afetar os demais, como ocorreu com a esquerda após a crise do chavismo na Venezuela. Na avaliação da estrategista, o segundo turno brasileiro evidenciou esse movimento quando Lula associou Flávio Bolsonaro ao argentino Javier Milei.

Deborah Mattinson, responsável pela campanha que levou o Partido Trabalhista de volta ao poder no Reino Unido após 14 anos, disse que o eleitorado tradicional de esquerda mudou com as transformações no mercado de trabalho. Ela defendeu que as forças políticas se adaptem às novas características dos eleitores e afirmou que muitas pessoas sentem que os governos não funcionam para elas.

O equatoriano Jaime Durán Barba, que ganhou projeção ao trabalhar para o argentino Mauricio Macri, afirmou que a política atual é marcada pelo espetáculo e pelo consumo rápido de informações nas redes, mais do que pelas ideologias. Para ele, a América do Sul vive uma onda antissistema, e não apenas uma guinada à direita.

O chileno Sebastián Kraljevich, que participou da campanha de Gabriel Boric e depois trabalhou para a Organização dos Estados Americanos (OEA), identificou na região um eleitorado disposto a votar contra o sistema de maneira difusa. Segundo ele, a lua de mel dos presidentes eleitos tem sido curta, com dificuldade para manter índices elevados de aprovação.

Fonte: O Globo

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