A 5ª Vara do Júri de Fortaleza determinou na terça-feira (20) o arquivamento da investigação contra João Munhoz Neto por feminicídio e indução, instigação ou auxílio ao suicídio no caso da morte de Isabelle Caracristi. O processo foi remetido aos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, onde serão analisadas as acusações remanescentes.
Munhoz continuará respondendo em liberdade por violência psicológica contra a mulher e fraude processual, crimes pelos quais foi indiciado pela Polícia Civil. A Justiça manteve medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica.
Na decisão, o juiz Wyrllenson Flavio Barbosa Soares acolheu o pedido do Ministério Público do Ceará (MPCE), que apontou falta de elementos para caracterizar crimes dolosos contra a vida. Segundo o órgão, não foram identificadas provas de que o investigado tenha planejado, executado ou participado de uma ação para induzir ou auxiliar Isabelle a tirar a própria vida.
O inquérito policial foi concluído em 30 de setembro, com 17 laudos periciais e depoimentos de 29 pessoas. A Polícia Civil concluiu que a morte da estudante, encontrada em 13 de setembro em um condomínio de Fortaleza, resultou de uma precipitação voluntária, classificada como suicídio pela investigação.
João Munhoz foi preso em 22 de setembro sob suspeita de atrapalhar as investigações e de praticar violência psicológica e indução ao suicídio. Ele deixou o presídio em Aquiraz em 1º de outubro, após a prisão preventiva ser revogada.
A defesa afirmou que a decisão confirma o arquivamento das acusações de feminicídio e indução ao suicídio e disse que continuará atuando para demonstrar a inocência de Munhoz também em relação aos crimes remanescentes.
O caso ganhou repercussão nas redes sociais após a mãe de Isabelle publicar um vídeo pedindo explicações e justiça. O arquivamento da investigação não encerra a apuração das acusações de violência psicológica e fraude processual, que serão examinadas pela Justiça especializada.
Fonte: g1 Ceará