A influenciadora brasileira Mariana Alves, conhecida como Malévola, afirmou nesta quinta-feira (22) que foi humilhada e sofreu abusos policiais durante a detenção no Egito. Em vídeos e mensagens publicados nas redes sociais, ela disse que a amiga Bruna Mercatelli também foi vítima e relacionou o episódio ao fato de ambas serem mulheres trans.
Segundo Malévola, as duas foram levadas a uma delegacia em Alexandria após serem acusadas de comportamento obsceno em vias públicas. Ela relatou que teve crises de pânico, ansiedade e depressão depois de deixar a prisão.
A influenciadora afirmou ainda que policiais teriam determinado que ela ficasse nua e que as duas foram abusadas por diversos agentes. As declarações são acusações feitas por Malévola; não há, no material disponível, confirmação independente sobre os abusos.
A polícia egípcia informou que as brasileiras foram detidas após gravarem e publicarem vídeos considerados ofensivos pelas autoridades. Segundo a versão policial, elas teriam feito gestos de cunho sexual e assediado pessoas em locais públicos.
Malévola e Bruna foram soltas na quarta-feira (21), depois do pagamento de fiança, e deverão responder ao processo em liberdade. A defesa informou que o valor ficou entre 20 mil e 40 mil libras egípcias, aproximadamente R$ 2 mil a R$ 4 mil, e que o telefone de Malévola permaneceu apreendido.
O advogado Jonatha Carvalho Matos afirmou que pretende acionar o Itamaraty e avaliar medidas perante organismos internacionais para apurar as denúncias de transfobia e abuso policial. A Embaixada do Brasil no Cairo e advogados egípcios acompanharam o caso, de acordo com as informações divulgadas.
O Egito possui normas que punem atos considerados escandalosos em público e a publicação de material contrário à moral pública. A defesa das influenciadoras afirmou que continuará acompanhando o processo conforme a legislação local e os tratados internacionais aplicáveis.
Fonte: g1