A Justiça francesa determinou a prisão de 217 pessoas condenadas em julgamentos acelerados após a onda de distúrbios e saques que atingiu o país desde sábado. Segundo o ministro da Justiça, Gérald Darmanin, pelo menos 2,7 mil pessoas foram detidas e mais de mil já compareceram aos tribunais.
Darmanin classificou a resposta do Judiciário como firme e afirmou que metade dos 217 presos não tinha antecedentes criminais. A maioria dos condenados, segundo ele, é formada por homens de 18 a 25 anos.
As autoridades recorreram ao procedimento de comparecimento imediato, que permite levar acusados a julgamento logo após a detenção ou em até três dias quando há prisão preventiva. Mais de 900 pessoas detidas durante os distúrbios foram submetidas ao mecanismo.
Advogados criticaram a rapidez dos processos e afirmaram que não tiveram tempo suficiente para se reunir com os clientes. Em carta aberta, 125 profissionais classificaram a resposta das autoridades como uma "guinada ultrarrepressiva" e disseram que julgamentos sumários não devem ser usados como instrumento político.
Entre os casos julgados está o de uma jovem de 18 anos presa após o saque de uma loja da Yves Saint Laurent, em Paris. Ela recebeu 12 meses de prisão com execução suspensa, multa, indenização e 140 horas de serviços comunitários.
Outro caso envolveu um estudante de 19 anos, sem antecedentes, detido com suéteres roubados de uma loja saqueada. Ele recebeu multa e pena de 14 meses de prisão com execução suspensa.
A política de encarceramento ocorre em meio à superlotação das prisões francesas. Segundo o Ministério da Justiça, o país tinha 90 mil detentos em 1º de setembro, embora o sistema tivesse capacidade para 63,3 mil pessoas.
Em Marselha, as autoridades proibiram manifestações previstas para sábado, suspenderam o transporte público e ampliaram o toque de recolher para menores e adultos em determinados períodos, citando razões de segurança.
Fonte: O Globo