A Justiça francesa determinou a prisão de 217 pessoas condenadas em julgamentos acelerados após a onda de distúrbios e saques que atingiu o país desde sábado, informou nesta quinta-feira (22) o ministro da Justiça, Gérald Darmanin. Segundo ele, pelo menos 2,7 mil pessoas foram detidas, e mais de mil já compareceram aos tribunais.
Darmanin afirmou que metade dos presos não tinha antecedentes criminais. A maioria dos condenados, segundo o ministro, é formada por homens de 18 a 25 anos, incluindo réus primários.
As autoridades recorreram ao procedimento de comparecimento imediato, que permite levar os acusados a julgamento logo após a detenção ou em até três dias quando há prisão preventiva. Mais de 900 pessoas detidas durante os distúrbios foram submetidas ao mecanismo.
Advogados de defesa criticaram a rapidez dos processos e disseram não ter tempo suficiente para se reunir com os clientes. Em carta aberta, 125 profissionais classificaram a resposta como uma “guinada ultrarrepressiva” e afirmaram que julgamentos sumários não devem ser usados como instrumento político.
Os distúrbios ocorreram após manifestações de estudantes e sindicatos contra o aumento do custo de vida e outras reivindicações. Em Paris, grupos mascarados incendiaram prédios, bicicletas e lixeiras, depredaram restaurantes e saquearam lojas.
Um dos casos julgados foi o de Awa, de 18 anos, presa com quatro bolsas da Yves Saint Laurent avaliadas em € 5 mil. Ela recebeu 12 meses de prisão com execução suspensa, multa, indenização e 140 horas de serviços comunitários.
A política de encarceramento ocorre em meio à superlotação das prisões francesas. Em 1º de setembro, o país tinha 90 mil detentos para uma capacidade de 63,3 mil vagas, segundo o Ministério da Justiça.
Em Marselha, as autoridades proibiram manifestações previstas para sábado e anunciaram a suspensão do transporte público nesse dia. Também ampliaram o toque de recolher para menores e adultos no centro da cidade, alegando razões de segurança.
Fonte: O Globo