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quinta-feira, 22 de outubro de 2026

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França prende 217 após distúrbios e enfrenta críticas a julgamentos acelerados

França mantém 217 pessoas presas após distúrbios, enquanto advogados criticam a rapidez dos julgamentos acelerados.

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A Justiça francesa mantém 217 pessoas presas após condenações em julgamentos acelerados relacionados à onda de distúrbios e saques que atingiu o país desde sábado. O ministro da Justiça, Gérald Darmanin, informou nesta quinta-feira (22) que pelo menos 2,7 mil pessoas foram detidas e mais de mil já compareceram aos tribunais.

Segundo Darmanin, metade dos 217 presos não tinha antecedentes criminais. A maioria dos condenados é formada por homens de 18 a 25 anos, muitos deles réus primários.

As autoridades adotaram o procedimento de comparecimento imediato, que permite levar os acusados a julgamento logo após a detenção. Mais de 900 pessoas foram submetidas ao mecanismo, e os réus mantidos em prisão preventiva podem ser julgados em até três dias.

Advogados de defesa criticam a velocidade dos processos e afirmam que não tiveram tempo suficiente para se reunir com os clientes. Em carta aberta, 125 profissionais classificaram a resposta como uma "guinada ultrarrepres­siva" e disseram que julgamentos sumários não devem ser usados como instrumento político.

Os distúrbios começaram após manifestações de estudantes e sindicatos contra o aumento do custo de vida e outras reivindicações. Em Paris, grupos mascarados incendiaram prédios, bicicletas e lixeiras, depredaram restaurantes e saquearam lojas.

Um dos casos julgados foi o de uma jovem de 18 anos detida com quatro bolsas da Yves Saint Laurent, avaliadas em € 5 mil. Ela recebeu 12 meses de prisão com execução suspensa, multa, indenização e 140 horas de serviços comunitários.

Em outro processo, um estudante de 19 anos, sem antecedentes, foi condenado a 14 meses de prisão com execução suspensa e multado após ser detido com suéteres roubados de uma loja saqueada.

A política de encarceramento ocorre em meio à superlotação das prisões francesas. Em 1º de setembro, o país tinha 90 mil detentos para uma capacidade de 63,3 mil vagas, segundo o Ministério da Justiça.

Em Marselha, as autoridades proibiram manifestações previstas para sábado, suspenderam o transporte público nesse dia e ampliaram o toque de recolher para menores no centro da cidade. A medida também prevê restrições para adultos nas noites de sábado e domingo.

Fonte: O Globo

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