A Anatel e tribunais federais suspenderam preventivamente o acesso externo a sistemas digitais após a identificação de duas falhas críticas de segurança no PHP, linguagem usada em sites e plataformas de serviços públicos. O governo federal também alertou órgãos públicos para que atualizem imediatamente o software ou retirem sistemas vulneráveis do ar.
O Centro Integrado de Segurança Cibernética do Governo Digital (CISC) divulgou o alerta na quarta-feira (21). Segundo o Gabinete de Segurança Institucional (GSI), gestores de tecnologia da Administração Pública Federal foram orientados a atualizar os sistemas.
A Anatel informou que suspendeu temporariamente o acesso externo ao Sistema Eletrônico de Informações (SEI) e a outros serviços disponíveis na internet. A agência disse que a medida busca proteger os sistemas e as informações institucionais durante as avaliações técnicas.
Os Tribunais Regionais Federais da 1ª e da 4ª Regiões também confirmaram a suspensão do acesso externo ao SEI. O TRF6 informou ter interrompido o acesso ao sistema de processo judicial eletrônico e ao SEI pelo mesmo motivo.
As vulnerabilidades podem permitir que invasores assumam o controle de servidores sem autenticação, de acordo com especialistas citados na reportagem. O PHP é uma linguagem de código aberto amplamente utilizada em sites e plataformas como WordPress, Moodle, Wikipedia e serviços de comércio eletrônico.
As falhas foram reportadas inicialmente em agosto pela empresa de segurança Calif e pela OpenAI, de forma independente, segundo a reportagem. A empresa Wiz afirmou posteriormente ter identificado outras formas de exploração e disse ter usado modelos de inteligência artificial em parte da análise.
Agências governamentais e empresas de outros países também retiraram sistemas do ar após a divulgação do problema. Nos Estados Unidos, a Agência de Segurança Nacional recomendou a correção imediata ou o desligamento de sistemas vulneráveis; na França, sites de administrações locais ficaram inacessíveis após orientação da agência nacional de cibersegurança.
Até a publicação da reportagem, especialistas não haviam relatado grandes impactos no Brasil. O Tribunal Superior Eleitoral foi procurado para informar se as falhas afetavam seus sistemas e se havia possíveis consequências para as eleições de 2026.
Fonte: g1