Reportagem do Fantástico publicada nesta quinta-feira (22) mostra como o uso constante de celulares e redes sociais tem reconfigurado a relação entre adolescentes, pais e amigos, com impactos sobre a convivência, a autoestima e o diálogo familiar.
Especialistas ouvidos pela reportagem avaliam que a pandemia agravou o isolamento social de jovens ao interromper experiências importantes de convivência justamente durante a adolescência. Com as atividades presenciais suspensas, muitos passaram a substituir encontros e amizades pelo computador e pelo celular.
Em Recife, um projeto social que atende adolescentes há 25 anos tenta criar uma alternativa à hiperconexão. Durante as atividades, os aparelhos ficam desligados para estimular encontros presenciais, vínculos e a participação em grupo.
Para algumas famílias, porém, o celular também é visto como instrumento de proteção. O receio da violência em comunidades faz com que pais prefiram manter os filhos em casa, onde o aparelho acaba ocupando boa parte da rotina, inclusive durante as refeições e antes de dormir.
A tecnologia também aparece como fator de distanciamento dentro de casa. Um curta-metragem produzido por estudantes de uma escola do Rio de Janeiro retrata as dificuldades de comunicação entre uma mãe e a filha adolescente, tema que, segundo as alunas, surgiu de experiências observadas no próprio cotidiano.
As redes sociais ampliam ainda a comparação entre jovens, especialmente em relação à aparência. Filtros, maquiagem e padrões de beleza exibidos na internet podem afetar a autoestima e, segundo especialistas citados na reportagem, estão associados a preocupações com a imagem corporal e à saúde mental.
Para enfrentar os conflitos, especialistas defendem que os adultos adotem uma postura de escuta, acolhimento e diálogo. A orientação é construir limites para o uso das telas sem ignorar as necessidades de convivência, segurança e autonomia dos adolescentes.
Fonte: g1