A Transparência Internacional-Brasil pediu, em 21 de outubro de 2026, explicações do senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) sobre o faturamento de ao menos R$ 13,7 milhões de seu escritório de advocacia durante o período em que ele exercia o mandato. O valor foi identificado pelo UOL em 62 documentos fiscais emitidos entre janeiro de 2023 e julho de 2026.
Em publicação nas redes sociais, a organização questionou como os serviços foram prestados, já que a banca está registrada na casa de Flávio, em Brasília, e, segundo a reportagem, não possui outros advogados ou empregados. A ONG também perguntou como um escritório aberto em 2021 obteve contratos de valores elevados em pouco tempo.
A entidade levantou ainda dúvidas sobre a administradora do escritório, Letícia Caetano dos Reis, irmã de um contador investigado e preso no caso das fraudes do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Também questionou pagamentos direcionados a uma conta bancária que, segundo a Polícia Federal, teria vínculos com Flávio e o advogado Willer Tomaz. Os dois negam ter compartilhado uma conta.
O maior cliente identificado nas notas fiscais foi o escritório Nilo & Almeida Advogados Associados, que aparece em dois documentos de R$ 2 milhões cada, emitidos em agosto e outubro de 2025. A banca informou que os pagamentos decorreram de um contrato de prestação de serviços firmado em abril daquele ano e afirmou que os trabalhos foram realizados conjuntamente para clientes privados, sem uso de recursos públicos.
A Polícia Federal também investiga se Flávio atuou com Willer Tomaz em um suposto esquema de lavagem de dinheiro por meio de plataformas de apostas esportivas. O inquérito tramita no Supremo Tribunal Federal, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes. Tomaz é ainda investigado por suspeita de envolvimento nas fraudes do INSS.
Levantamento do GLOBO identificou ao menos 18 processos em que a banca de Flávio aparece como parte, em áreas criminal, civil e empresarial. O Estatuto da Advocacia permite que parlamentares exerçam a profissão, mas proíbe a atuação em processos que tenham a União ou órgãos públicos como parte, além de restringir trabalhos para concessionárias de serviços públicos.
Em nota, a Transparência Internacional-Brasil afirmou que contratos advocatícios fictícios ou superfaturados podem ser usados para ocultar a origem de recursos e lavar dinheiro. Flávio não se manifestou sobre os questionamentos apresentados pela organização, segundo o conteúdo publicado.
Fonte: O Globo