A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) decidiu concentrar no candidato as declarações públicas sobre propostas de governo e temas considerados prioritários até o segundo turno, marcado para domingo, após desgastes envolvendo o Bolsa Família e investigações citadas em reportagens.
A decisão foi tomada na terça-feira, depois da repercussão das declarações da coordenadora econômica Daniella Marques sobre o programa. Segundo interlocutores, não houve afastamento de integrantes da equipe, mas Flávio passou a ser tratado como principal porta-voz para evitar falas desencontradas.
A equipe também prepara respostas para possíveis ataques do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no último debate, marcado para sexta-feira, na TV Globo. A avaliação interna é que declarações de auxiliares sobre propostas ainda em discussão poderiam gerar novos atritos e exigir esclarecimentos do candidato.
Integrantes da campanha afirmam que a medida não representa punição a Daniella Marques, que continua participando das discussões sobre o programa de governo. Nos bastidores, porém, a avaliação é que ela não conseguiu explicar com clareza a proposta para o Bolsa Família.
Em entrevista à CBN Bahia na segunda-feira, Daniella defendeu uma regra de transição de dois anos para beneficiários que conseguissem emprego ou abrissem um negócio. Após a repercussão, a equipe afirmou que a proposta trata da ampliação da proteção para famílias que aumentarem a renda, enquanto Flávio voltou a prometer a manutenção e o reajuste do benefício.
A orientação também ocorre após a divulgação de informações sobre investigações envolvendo Flávio. Segundo o conteúdo original, a Polícia Federal encaminhou ao Supremo Tribunal Federal um inquérito sobre suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o senador e o advogado Willer Tomaz, caso distribuído ao ministro Alexandre de Moraes.
Reportagem de O Globo informou que um relatório da PF detalhou vínculos entre Flávio e Tomaz, incluindo viagens custeadas por empresa controlada pelo advogado, possível relação societária e a presença do contato do senador em um aplicativo que apaga mensagens após a leitura. Os dois negam a existência de uma relação econômica.
Fonte: O Globo