A Polícia Civil do Rio de Janeiro investiga a morte de três mulheres e denúncias de complicações após cirurgias estéticas realizadas em uma clínica na Zona Sul da capital. Segundo reportagem do Fantástico, pelo menos outras 24 ocorrências envolvendo infecções, necroses, deformidades e problemas emocionais foram reunidas no inquérito.
Entre as pacientes está a professora Adriane, que relatou ter desenvolvido uma infecção grave após uma cirurgia no abdômen. De acordo com ela, a pele da região escureceu e começou a se desprender; posteriormente, a paciente afirmou ter descoberto que o profissional envolvido não seria habilitado como cirurgião plástico.
“Estou deformada. Eu não tenho barriga. Não tenho coragem de botar minha barriga para fora, não tenho coragem de me olhar no espelho. Eu poderia estar na estatística. Eu sobrevivi”, disse Adriane, conforme a reportagem.
Outra paciente, Gisele, afirmou que ficou com cicatrizes após procurar a clínica para retirar glândulas de gordura localizadas abaixo dos braços. Ela suspeita que mais de uma pessoa tenha participado do procedimento, hipótese que passou a ser considerada pela investigação, que apura a possível participação de alunos de cursos de pós-graduação em cirurgias sem conhecimento das pacientes.
A comerciante Thaíse também relatou sequelas depois de uma cirurgia para redução dos seios e colocação de próteses de silicone. Segundo ela, os seios ficaram com formatos diferentes; a clínica teria oferecido uma cirurgia reparadora, mas a paciente disse ter perdido a confiança na unidade após tomar conhecimento de outros relatos.
As denúncias ainda são objeto de investigação e não representam, por si só, comprovação de responsabilidade criminal. O inquérito busca esclarecer quem realizou os procedimentos, em que condições eles ocorreram e a relação entre as complicações relatadas e as cirurgias feitas na clínica.
Fonte: g1