O Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) pediu nesta quarta-feira (21) explicações à Meta sobre sua atuação no processo eleitoral brasileiro e mecanismos de reparação para eventuais impactos desiguais.
Em carta, o órgão afirmou que relatos envolvendo contas de campanha, alcance de publicações, feeds de usuários, visualizações e ferramentas de inteligência artificial levantam preocupações sobre liberdade de expressão, participação política e igualdade de tratamento entre diferentes posições.
O conselho solicitou que a empresa avalie se seus sistemas favoreceram uma das candidaturas, sem citar nominalmente Flávio Bolsonaro (PL), e aplique as regras de forma consistente e sem discriminação. O documento também pediu transparência com a sociedade civil e canais para tratar reclamações durante o período eleitoral.
A manifestação ocorreu um dia após o Comitê de Supervisão de Conteúdo da Meta, conhecido como Oversight Board, apontar falhas recorrentes e falta de transparência nos processos de moderação eleitoral da empresa.
A Meta reconheceu na sexta-feira (16) falhas que afetaram a produção e a divulgação de conteúdos relacionados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas negou favorecimento político. Segundo a empresa, o problema foi técnico e global, e a distribuição dos conteúdos de Lula ficou acima do padrão naquele dia.
O caso também é analisado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que determinou que a Meta comprove o cumprimento de decisão sobre isonomia na distribuição de conteúdos políticos e na veiculação de anúncios. A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) deu cinco dias úteis para a empresa esclarecer denúncias sobre suspensão de contas, remoção de publicações e restrição de alcance.
Fonte: O Globo