O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) alertou nesta quarta-feira (21) que o mundo pode registrar aquecimento de 2,6 °C até 2100, mesmo que os países cumpram seus compromissos climáticos mais recentes.
A projeção consta do Relatório sobre a Lacuna de Emissões 2026 e supera a meta do Acordo de Paris, que busca limitar o aumento da temperatura a bem menos de 2 °C e, se possível, a 1,5 °C em relação aos níveis pré-industriais.
Segundo o estudo, a possibilidade de manter o aquecimento em 1,5 °C foi perdida por décadas de ações insuficientes. As emissões globais de gases de efeito estufa permaneceram praticamente no nível recorde de 2024 em 2025.
O relatório afirma que cada fração adicional de grau aumenta a frequência de eventos extremos e o risco de mudanças irreversíveis, como a morte de recifes de coral e o derretimento de geleiras. O planeta já aqueceu cerca de 1,4 °C em relação à era pré-industrial, e o limite de 1,5 °C pode ser ultrapassado nos próximos anos.
Para manter uma chance de 50% de limitar o aquecimento a 1,5 °C até 2100, o estudo aponta a necessidade de cortes imediatos de 6% ao ano nas emissões até 2035, além da remoção de grandes quantidades de dióxido de carbono da atmosfera.
A secretária executiva do Pnuma, Inger Andersen, afirmou que nenhum país está protegido dos efeitos da mudança climática, incluindo os Estados Unidos. Dados preliminares indicaram aumento das emissões em Estados Unidos, Indonésia e China, e redução na Índia, Rússia e União Europeia.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que enchentes, ondas de calor e incêndios florestais já provocam mortes, prejuízos econômicos e aumento das desigualdades. Países em desenvolvimento vulneráveis acusam os maiores emissores de abandonar as metas do Acordo de Paris, em meio à expectativa de disputas sobre o limite de 1,5 °C na COP31.
Fonte: O Globo