O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, criticou nesta quarta-feira (21 de outubro) a proposta de aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL) de criar uma equipe para coordenar posições com os Estados Unidos em caso de vitória do candidato no segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro.
Em entrevista ao O Estado de S. Paulo, Vieira classificou a iniciativa como um “péssimo sinal” e afirmou que medidas para desarticular a estrutura diplomática brasileira podem representar uma tentativa de “destruir” o Itamaraty. Segundo o ministro, equipes de transição devem ser formadas entre governos, e não com países estrangeiros.
O chanceler também disse que integrantes do governo de Donald Trump tomaram partido na disputa eleitoral brasileira. Para Vieira, caberá aos eleitores decidir, nas urnas, se houve ingerência estrangeira e quais rumos o país deve seguir.
Vieira demonstrou preocupação ainda com declarações de aliados de Flávio Bolsonaro sobre mudanças no Ministério das Relações Exteriores, incluindo a possibilidade de transferência de embaixadores que tenham se manifestado politicamente. Ele afirmou que, em uma democracia, a atuação deve ocorrer por meio de diálogo, e não de ameaças de retaliação.
O ministro defendeu o caráter institucional do Itamaraty e a atuação dos diplomatas como servidores de Estado. Apesar das críticas, afirmou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva cumpriria o rito democrático de transição caso o candidato do PL vencesse a eleição.
Fonte: O Globo