Empresas chinesas ampliaram a liderança em segmentos da tecnologia de consumo e passaram a superar marcas ocidentais em áreas como câmeras de ação, veículos elétricos e aspiradores robóticos, segundo reportagem publicada pelo g1 nesta quarta-feira (21).
O avanço é ilustrado pela disputa no mercado de câmeras de ação. A americana GoPro, que vendeu cerca de 6,6 milhões de unidades e tinha mais de 70% do mercado em 2015, perdeu espaço para as chinesas DJI e Insta360, que hoje somam mais de 90% das vendas globais de câmeras inteligentes portáteis, conforme os dados citados na reportagem.
A mudança também aparece no setor automotivo. BYD, Xpeng e outras montadoras chinesas venderam quase dois terços dos carros elétricos comercializados no ano passado, enquanto fabricantes ocidentais, incluindo a Tesla, enfrentam uma concorrência maior.
Especialistas ouvidos pela Deutsche Welle atribuem o desempenho chinês à forte competição doméstica, à integração das cadeias de suprimentos e à capacidade de lançar produtos rapidamente. Automação industrial, uso de inteligência artificial na manufatura, custos menores e maior agilidade regulatória também são apontados como fatores de competitividade.
Shenzhen, um dos principais polos industriais da China, concentra fornecedores e fabricantes de componentes eletrônicos. Para Joey Cheng, fundador da americana Prolo Ring, produzir na cidade facilita a redução de custos e acelera o desenvolvimento de produtos, especialmente para empresas iniciantes.
O crescimento das marcas chinesas, porém, ocorre em meio a preocupações sobre privacidade, segurança de dados e possível influência estatal. Uma pesquisa citada na reportagem indica que mais de 90% dos europeus não confiam seus dados a empresas chinesas de tecnologia; entre as companhias americanas, o índice de desconfiança ficou em cerca de 80%.
Empresas chinesas afirmam cumprir as regras de proteção de dados da União Europeia. Ainda assim, autoridades alemãs apontam que existe supervisão limitada sobre possíveis transferências de informações armazenadas em servidores europeus para outros países.
Estados Unidos e países europeus também adotaram ou avaliam tarifas, restrições comerciais e exigências adicionais para empresas chinesas. A reportagem afirma que essas medidas podem estimular a transferência de fábricas para outros mercados e levar as marcas chinesas a disputar segmentos premium, nos quais a confiança do consumidor tem maior peso.
Para empresas ocidentais, a competição pode exigir foco em nichos específicos, diferenciação de produtos e parcerias com companhias chinesas. O ritmo de resposta dos órgãos reguladores também é apontado como um fator que pode influenciar a capacidade de inovação e de entrada nos mercados internacionais.
Fonte: g1