Empresas chinesas passaram a superar concorrentes ocidentais em segmentos como câmeras de ação, veículos elétricos, TVs inteligentes e aspiradores robóticos, segundo reportagem publicada pelo g1 em parceria com a Deutsche Welle nesta quarta-feira (21).
O avanço é ilustrado pela disputa no mercado de câmeras de ação. A americana GoPro, que chegou a vender cerca de 6,6 milhões de unidades em 2015 e a ter mais de 70% de participação, perdeu espaço para as chinesas DJI e Insta360, que entraram no segmento em 2019 e 2021, respectivamente.
De acordo com a reportagem, DJI e Insta360 hoje concentram mais de 90% das vendas globais de câmeras inteligentes portáteis. A GoPro escapou da falência em setembro, após enfrentar dificuldades provocadas por apostas malsucedidas em novos produtos e pela concorrência dos smartphones.
O desempenho chinês também aparece no setor automotivo. BYD, Xpeng e outras fabricantes do país venderam quase dois terços dos carros elétricos comercializados no ano passado, superando empresas já estabelecidas, como a Tesla.
Especialistas ouvidos pela Deutsche Welle atribuem a competitividade chinesa à forte concorrência interna, à integração das cadeias de fornecimento, à automação industrial e à capacidade de lançar produtos rapidamente. Shenzhen, Hangzhou e Xangai são citadas como polos de inovação e fabricação.
A expansão, porém, ocorre em meio a preocupações sobre privacidade, segurança de dados e possível influência estatal. Uma pesquisa mencionada pela reportagem aponta que mais de 90% dos europeus não confiam seus dados a empresas chinesas de tecnologia, enquanto cerca de 80% demonstram desconfiança em relação às companhias americanas.
Governos ocidentais também adotaram tarifas, restrições comerciais e exigências adicionais para empresas chinesas. Estados Unidos e União Europeia avaliam novas medidas, enquanto fabricantes estudam transferir parte da produção para outros países e ampliar a oferta de produtos premium.
Para analistas ouvidos pela reportagem, empresas ocidentais podem tentar competir por meio de nichos específicos, parcerias com companhias chinesas e maior velocidade de resposta regulatória. A localização de fábricas em mercados estrangeiros também é apontada como uma estratégia para reduzir barreiras comerciais e aumentar a confiança dos consumidores.
Fonte: g1